O que Cleitinho vai encontrar (por Nestor de Oliveira)

Caberá a Cleitinho encontrar soluções de curto, médio e longo prazos [...]

Durante 40 dias o gigante Golias, guerreiro do exército dos filisteus, desafiou soldados de Israel para enfrenta-lo em combate. Nenhum adversário apareceu para tão perigosa e desproporcional luta, considerando o tamanho e força física do desafiador. Um menino, Davi, que visitava os irmãos no acampamento de guerra, ao ouvir as ofensas do gigante contra o Deus de Israel, ofereceu-se para o combate. A armadura, oferecida pelo Rei Saul, foi recusada, era pesada demais e não lhe servia. Levando sua funda e cinco pedras recolhidas no riacho, Davi chegou diante do gigante e posicionou-se a favor do sol. Girou fortemente sua arma e acertou a testa de Golias com a primeira pedra, desabando-o e garantindo a vitória de Israel. Quis o destino que Davi, muitos anos depois, se tornasse o Rei de Israel e marcasse com glória seu reinado.

A história bíblica, narrada há milênios, dá bem a dimensão do desafio a que se propõe enfrentar o novo Governador de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, vencedor das últimas eleições, no primeiro turno, com mais de 56% dos votos dos mineiros. O tamanho dos problemas, que terá pela frente, são proporcionais a Golias, não só pela complexidade deles, mas também pelas armas disponíveis ao desafiante. Ao primeiro olhar parece tarefa impossível, mas, assim também parecia a Davi, que usou inteligência, estratégia e criatividade para derrotar o inimigo. Minas Gerais, nos últimos governos, tem sofrido severas perdas na sua estrutura de gestão, levando seu povo a sacrifícios em todas as áreas, com a ausência do poder e credibilidade nos últimos governantes, além do desprestígio político nacional. Os interesses dos mineiros têm sido negligenciados em favor de ideários políticos e desconhecimento das reais funções do estado. A economia precisa encontrar novos caminhos, já que seu atual modelo está prestes a exaurir.

Caberá a Cleitinho encontrar soluções de curto, médio e longo prazos para um estado que detém a maior dívida pública, entre os estados brasileiros, com graves problemas na educação, com demandas urgentes para estancar o atendimento à saúde, garantir segurança à população, mesmo com a melhor Polícia Militar do país. A infraestrutura de transportes, a precariedade das estradas estaduais e federais, a motivação e a reposição dos salários dos funcionários, além da credibilidade nos diversos organismos que justificam a existência do poder. Nunca é demais lembrar que somos a segunda economia do país, maior produtor de leite, café, minérios, ouro, lítio, nióbio e tantos outros valiosos ativos da economia mundial. Se no passado tivéssemos criado um fundo soberano sobre a extração mineral, não teríamos hoje somente os buracos e passivos desta produção, mas meios de financiar a educação, saúde e bem estar dos mineiros, transformando nosso estado e colocando-o na justa posição equivalente às suas riquezas. O novo Governador encontrará dificuldades de toda ordem, políticas, econômicas e adversários prontos a apontar seus erros, raramente para reconhecer seus méritos. O último governo, desconhecedor das entranhas da máquina pública e relações políticas, só encontrava motivos para denunciar o anterior, culpa-lo da própria incapacidade na solução de problemas, além do desprezo aos mineiros na ocupação dos principais cargos do executivo. Buscou no Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados, profissionais que comprometeram a boa conduta na gestão pública, motivando denúncias de corrupção ainda não apuradas. Prepare sua funda, Governador, busque as armas necessárias, criatividade, sorte, instinto e sua aguçada visão para enfrentar um gigantesco problema chamado governar Minas Gerais. Não precisa abater o inimigo, os problemas, com a primeira pedra. Tenha paciência, tenacidade, perseverança, equipe competente e mineira para cumprir sua tão importante missão.   

Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor

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