O Governo Lula IV terá quatro principais pontos, ou desafios a serem resolvidos:
1. Representatividade
Lula foi eleito mais por rejeição à Flávio Bolsonaro do que por voto de apoio estrito. É a primeira vez na história eleitoral do país que o incumbente é eleito com avaliação negativa de seu governo. Nos governos Lula I e Lula II verificou-se a composição com o centro econômico e político, iniciada durante o período eleitoral com a “Carta ao Povo Brasileiro”. Já no governo Lula III, a gestão se deu dentro da esfera partidária. Lula terá que governar com o centro para o aumento da sua representatividade perante o eleitorado e o Congresso.
2. Equilíbrio fiscal
Lula terá que fazer o ajuste fiscal, como primeiro ato de seu governo, doa a quem doer. Se não, o país pode entrar em default, como anteriormente ocorrido com Kirchner na Argentina. Tem que, necessariamente, fazer o ajuste fiscal em seu primeiro ano, para que haja tempo suficiente para tentar o desenvolvimento econômico nos 3 anos subsequentes.
3. Desenvolvimento econômico
Lula tem que se ancorar em forte equipe econômica, não necessariamente partidária, para gerar o desenvolvimento econômico do país. Todo país que cresce a curto prazo uniu nova demanda com nova oferta. Assim foi nos Lula I e Lula II, com Palocci e Meirelles unindo a demanda gerada pelos novos programas sociais com a oferta de crédito subsidiado para as empresas então ociosas devido à crise de 1998/99, levando o PIB de US$ 0,5 trilhão em 2002 para US$ 2,2 trilhões em 2010. No Lula III, a área econômica, neste sentido do desenvolvimento, falhou. Desde 2010, sem consenso político e sem programa de desenvolvimento, o PIB está estancado na casa dos US$ 2,2 trilhões, sem benefícios para o país.
4. Criminalidade
O crime, tanto o crime organizado com o tráfico de drogas e de armas, assim como o crime comum, estão fora de controle. Os últimos dados de ONU mundialmente totalizados para 2021, mostram que no Brasil o índice de homicídios-ano por 100 mil habitantes é de 32, para média mundial de 6. A segurança do cidadão tem que ser garantida pelo Estado. Todo e qualquer governo que não resolva estes problemas está fadado a dificuldades nas urnas em próximas eleições.
Tarefas árduas, mas necessárias, para o bem da população e dos governantes.



