Três jogos, três histórias (por Erasmo Angelo)

O futebol da semana mostrou três eventos de destaque e que merecem observações[...]

O futebol da semana mostrou três eventos de destaque e que merecem observações. Dois de repercussão negativa para o futebol brasileiro e um de notável beleza coletiva e individual.

Um deles, que por sinal continua rendendo na mídia, foi o empate do Corinthians com o Vitória/Ba (1 a 1) no Neo Química Arena, estádio Corintianos, pelo Campeonato Brasileiro, 31ª rodada.

Os dois clubes estão no desespero. Lutam contra o rebaixamento. O Vitória, um pouquinho melhor na classificação do campeonato, comemorou o empate por ser jogo fora de casa. Passou a somar 37 pontos, em 13º lugar e com 10 vitórias, o que ajuda muito porque este é o primeiro critério de desempate quando clubes somam a mesma pontuação.

Já o Corinthians, que além da crise técnica enfrenta tremendo abalo nas finanças, está na beira da ribanceira do rebaixamento. É o 16º colocado, com apenas 33 pontos em 31 jogos, nos quais obteve apenas oito vitórias. Nas ultimas nove partidas conseguiu a façanha de perder oito vezes seguidas e obteve um empate, exatamente o do jogo contra o Vitória, em casa.

Os corintianos que lotaram o Neo Química, saíram frustrados ao verem o time conseguir um mísero empate e mesmo assim com a ajuda do árbitro Sávio Pereira Sampaio (DF), que arrumou um pênalti para o time paulista igualar o placar e fez ainda várias lambanças que culminaram com sua decisão de, após dar oito minutos de acréscimo no segundo tempo, “inventou” ainda mais quatro minuto, em descarado benefício ao Corinthians, cujos jogadores partiram para cima dele para pressionar pela marcação de mais um pênalti, aos 12min dos acréscimos. Sávio teve que sair do bolo de atletas as pressas e apitar o fim da partida.

A atitude do árbitro (fraco tecnicamente em muitos outros jogos) provocou polêmica pois logo se somaram injustificadas e infundadas suspeitas de arrumações para o Corinthians não ser rebaixado. Faltando só sete jogos para o fim do Brasileirão, o episódio certamente fará com que os outros clubes, também ameaçados, fiquem de olhos bem abertos nas partidas que o clube paulista ainda vai disputar.

Sem outra saída, o Corinthians terá que vencer, no mínimo, quatro dos seus sete últimos jogos, alguns deles muito difíceis. A começar pelo Vasco, outro ameaçado de rebaixamento, neste sábado de véspera de eleição, no Rio. No caminho, atuará em casa contra Botafogo e Grêmio (o time gaúcho é outro seriamente ameaçado) e vai sair para pegar São Paulo e Atlético/MG. Os jogos teoricamente menos complicados serão contra Mirassol (em casa) e Remo (fora).

Para quem em 31 partidas só venceu oito em todo o campeonato e agora tem apenas sete jogos para se salvar, a jornada corinthiana é complicadíssima.

E quem também se estrepou na semana foi o Vasco. Disputou uma semifinal da Copa Sul-Americana contra o sempre copeiro Boca Juniors, da Argentina, e achou que a classificação para a final estava no papo porque na partida de ida, em Buenos Aires, conseguiu a façanha de deixar a terrível Bombonera com 1 a 0 a seu favor, onde sofreu e se safou da derrota após segurar uma impressionante pressão do rival.

Para o jogo de volta, no Maracanã, o Vasco mobilizou a torcida (mais de 60 mil no estádio) mas se esqueceu de mobilizar o time. O fiasco da equipe ficou resumido ao que disse o jogador vascaíno Hinestroza quando o jogo terminou. Para ele, o Vasco entrou “desligado” da partida. Fica a pergunta: como um time que vai decidir uma vaga à final de uma competição internacional pode entrar “desligado” em campo?

O copeiro Boca Juniors, time guerreiro e mais popular da Argentina, entrou em campo ligadíssimo. Dominou, fez 3 a 1 e disputará a final contra o Atlético/MG, que venceu o uruguaio City Torque de 3 a 0 na Arena MRV e perdeu por 2 a 0 em Montevidéu. A decisão será em jogo único, em Barranquilla/Colômbia.

E para deleite dos que admiram o futebol como espetáculo, o show de bola ficou por conta de PSG 4 x 2 Barcelona, jogaço disputado no Estádio do Parque dos Príncipes, em Paris/França, pela Liga dos Campeões. A partida, de elogiável intensidade e protagonizado por uma infinidade de craques, teve 43 finalizações, sendo 22 no alvo (a gol), com goleiros fazendo milagres e apenas cinco minutos de acréscimo, somados os dois tempos de bola em jogo. A arbitragem foi outro show, porque em momento algum o juiz inglês Micheal Oliver foi notado em campo e o VAR não apareceu. Fica até uma sugestão ao árbitro Sávio Pereira Sampaio, que “apitou” Corinthians x Vitória: ele deveria assistir ao vídeo de PSG x Barcelona a uma dezena de vezes para aprender a comandar uma partida sem intrometer-se no seu resultado.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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