
Sem ter muito o que fazer nos enfadonhos dias reservados ao futebol brasileiro no período da Data Fifa, em termos de jogos, nossa grande mídia consumiu seu tempo entre a proibição das bets e as peladas que a seleção de Ancelotti foi disputar na Ásia e Oceania.
No caso das bets, clubes das séries A e B e as federações, sem outras opções para tentar recuperar os milhões de reais perdidos numa canetada governamental, terão que ficar esperando por decisões judiciais.
No caso do futebol disputado em campo, a alternativa que restou à mídia foi dedicar vastos espaços à seleção do Ancelotti, que não encontra muitos torcedores dispostos a lhe dedicar atenção. Certamente, a maioria.
Ainda mais quando se trata de jogo amistoso, que não vale nada. Pior ainda é aguentar as entrevistas de Ancelotti, de difícil compreensão por causa da pronúncia mista ítalo-brasileira, que vem misturada com chicletes.
Na Austrália, Ancelotti parecia uma pessoa fria com o que havia acontecido em campo depois do medonho primeiro jogo contra a Austrália (1 a 1). Resumiu as críticas que vem recebendo desde o vexame de sua campanha recente na Copa do Mundo com a frase comum que quase todo treinador usa para justificar um trabalho que não agrada: “Torcedor tem que ter paciência”.
Ancelotti mostra-se distante das coisas que giram em torno do futebol brasileiro, dos seus costumes, da gana do nosso futebol em ser vencedor e não apenas se contentar em disputar uma competição pelo simples prazer de disputar. E é por isso que o nosso torcedor, após sucessivos fracassos da seleção brasileira em copas do mundo (inclusive sob o comando de Ancelotti) cansou de ter paciência.
É também por não ter mais paciência, que essa gigantesca torcida lamenta ter de ouvir do treinador do time de todas as torcidas, coisa como esta que ele disse na Austrália: “Crítica sempre existiu e sempre vai existir. Essa crítica não afeta a ideia que tenho para o futuro desta seleção e desses jogadores. O quanto ela pode afetar? Zero”. Pelo visto, Ancelotti não quer ouvir ninguém. E nem vai.
Mas, a atual Data Fifa premiou, e bem, a quem gosta de futebol espetacular. Quem protagonizou espetáculo foi a seleção da Espanha, felizmente duas vezes em apenas cinco dias, para o deleite dos que adoram o bom jogo de bola.
Com seu formidável número de craques, a Espanha derrubou a Inglaterra, terceira colocada no último mundial e também com grandes jogadores, no estádio de Wembley, em Londres, por 3 a 2, em partida de elevada dose de emoções e de alta intensidade no dia 25 de setembro, pela Liga das Nações/UEFA Quem não assistiu perdeu um show de futebol.
E outro show a Espanha reservou para seu público, em Sevilla, dia 29, goleando a Croácia por 4 a 1 com uma atuação notável do jovem (19 anos) Lamine Yamal, autor de dois gols. Foi um belo repertório de ótimas jogadas e gols bem construídos proporcionados por um time realmente brilhante.
A Espanha faz tudo isto sob o comando do técnico Luis de la Fuente, 61 anos, à frente da seleção nacional desse 2023. Ele teve seu contrato renovado até 2032. Já ganhou duas vezes a Eurocopa e foi campeão da última Copa do Mundo. Por aqui é diferente. Sem conquistar nada, Ancelotti, que chegou em maio do ano passado, teve seu contrato renovado com a seleção brasileira até 2030.
A Seleção da Espanha tem números incríveis. Detém atualmente o recorde mundial de jogos oficiais invictos entre todas as seleções nacionais na história do futebol. São 40 partidas, sendo 30 vitórias e 9 empates, com 102 gols marcados e apenas 31 sofridos.
São as voltas que o mundo do futebol dá. Vejam o caso da Espanha, por exemplo. Há muito tempo que a torcida de lá não houve o treinador da seleção nacional dizer que a torcida precisa ter paciência.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



