
A chatíssima data Fifa atual que, no caso brasileiro, só serviu para tirar o foco da torcida das fazes mais emocionantes do Brasileirão, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana, que estão próximas. Mas está servindo para Ancelotti levar a turma da seleção à Oceania e Ásia para peladas contra a Austrália e Índia.
Com nossos clubes de folga, ainda repercutem episódios recentes envolvendo três jogadores experientes e famosos, que integram clubes de torcidas fantásticas e que se envolveram em polêmicas com seus próprios torcedores ou com as de times rivais. São eles Gabigol (Santos), Neymar (também santista) e Memphis Depay (Corinthians).
O caso de Gabigol (30 anos) tem ligações com Santos e Cruzeiro. Ao sentir que o atacante não estava produzindo o que dele se esperava, o clube mineiro o emprestou ao Santos no início do ano e ainda aceitou pagar parte do salário milionário que o jogador recebia (dizem que é algo em torno de R$ 3 milhões/mês).
As relações Cruzeiro/Gabigol/torcida tornaram-se corrosivas quando do jogo da semifinal da Copa do Brasil do ano passado (14/12/2025), na Neo Química Arena, contra ao Corinthians, que venceu o primeiro jogo no Mineirão (1 a 0) e perdeu o segundo (2 a 1), em casa. Gabigol entrou em campo nos minutos finais. Na decisão por pênaltis, o atacante, encarregado da batida que daria ao Cruzeiro a condição de finalista, praticamente atrasou a bola para o goleiro paulista, para desespero dos cruzeirenses. Sem ambiente no clube, poucos dias depois o jogador estava no Santos.
Na Vila Belmiro, Gabigol voltou a jogar bem. Em 42 jogos, marcou 21 gols. Em entrevista, cutucou o Cruzeiro ao ser indagado sobre a razão do seu atual sucesso: “Aqui tenho sequência de jogos, 21 gols no ano né. Melhor que muito atacante aí”. Os cruzeirenses entenderam que Gabigol estava insultando o clube, ao qual tem contrato. Acredito que não. Na verdade, o técnico Léo Jardim (hoje no Fla) só o escalava nos minutos finais das partidas. Não tinha sequência de jogos.
Já Neymar (34 anos), em fim de carreira e raramente em campo, passou a usar, de forma acentuada, uma de suas marcas preferidas: a provocação aos times adversários e torcidas rivais. Nas quartas de final da Copa Sul-Americana ele se deu mal contra o Atlético-MG e contra os atleticanos. No jogo de ida, na Vila Belmiro (09/09/2026), após a vitória santistas por 2 a 0, Neymar ironizou torcedores gritando: “Sem joelho jogo melhor que todos do seu time”. E insultou o Atlético: “Se eu estivesse em campo seria de uns 4”.
Na partida de volta (16/09/2026), o Atlético virou o placar (4 a 2) e eliminou o Santos nos pênaltis (3 a 1). Neymar não jogou porque não atua em grama sintética, mas sofreu horrores com ironias dos atleticanos, que inundaram as redes sociais com todo tipo de memes contra Neymar, seus fracassos técnicos atuais e problemas físicos.
E quem deve estar satisfeito com este intervalo no futebol é o holandês Memphis Depay (32 anos). Com a data Fifa ele pegou uns dias de sossego e alívio ante a irritação da massa do Corinthians, que o culpa pela eliminação do time diante do argentino Estudiantes de la Plata (1 a 0) em plena Neo Química Arena (16/09/2026). No último lance daquela partida, em cobrança bizarra, Memphis perdeu o pênalti que empataria o jogo e levaria a decisão para as penalidades. Chutou a bola em altura incrível, no “telhado” do estádio.
Memphis recebeu duras críticas pelo seu comportamento. O comentarista e ex-atacante Casagrande ficou surpreso com a cobrança: “Olha que eu não estou falando que ele era obrigado a marcar o gol. Era obrigado a acertar o gol”. O também comentarista e ex-jogador Felipe Melo não se conforma com o fato de Memphis ter fugido da entrevista coletiva: “Como o cara que mais ganha em termos salariais; o cara que midiaticamente é o maior do Corinthians e “pipocar” diante da imprensa…”. Vai ser interessante ver o comportamento desses três famosos no restante desta temporada.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



