O gás que virou Teflon

Algumas grandes invenções começam com uma ideia brilhante. Outras, com algo dando [...]

Algumas grandes invenções começam com uma ideia brilhante. Outras, com algo dando completamente diferente do esperado. Foi assim com o Teflon, descoberto por acaso em 1938.

Na época, o jovem químico Roy Plunkett, da DuPont, trabalhava no desenvolvimento de novos gases refrigerantes. Para seus experimentos, havia produzido cerca de 45 quilos de tetrafluoroetileno (TFE) e armazenado o gás em dezenas de pequenos cilindros mantidos a temperaturas muito baixas.

Na manhã de 6 de abril de 1938, Plunkett e seu assistente, Jack Rebok, preparavam mais um experimento quando perceberam algo estranho: abriram a válvula de um dos cilindros, mas nenhum gás saiu.

A primeira suspeita seria óbvia: o cilindro estava vazio.

Só que não estava.

Ao pesá-lo, descobriram que ele continuava praticamente com o mesmo peso. Havia alguma coisa lá dentro, mas não existia mais pressão suficiente para que o gás saísse.

Intrigados, decidiram investigar. Retiraram a válvula e encontraram um pó branco dentro do recipiente.

O tetrafluoroetileno havia se transformado espontaneamente em um novo material: o politetrafluoroetileno, ou PTFE.

Plunkett poderia simplesmente ter descartado o resultado como um problema no experimento. Em vez disso, resolveu estudar aquela substância inesperada.

E foi aí que percebeu que tinha encontrado algo extraordinário.

O novo material suportava altas temperaturas, era extremamente resistente a reações químicas e apresentava baixíssimo atrito, característica que dificultava a aderência de outras substâncias à sua superfície.

A descoberta foi tão inesperada que contrariava o que se previa, na época, sobre a capacidade do TFE de formar aquele tipo de polímero.

Mas o produto que hoje associamos imediatamente às panelas antiaderentes não foi parar primeiro na cozinha.

Produzir o PTFE era caro e difícil, e durante a Segunda Guerra Mundial uma de suas primeiras aplicações importantes ocorreu em um projeto completamente diferente: o Projeto Manhattan, programa secreto dos Estados Unidos que desenvolveu a primeira bomba atômica.

Sua extraordinária resistência química tornou o material útil em equipamentos que precisavam lidar com compostos de flúor altamente corrosivos utilizados no processo de enriquecimento de urânio.

O nome comercial Teflon só surgiria em 1944.

E as panelas vieram depois. Curiosamente, quando Plunkett recebeu uma importante homenagem por sua descoberta, no início da década de 1950, os convidados de um banquete receberam como lembrança formas de muffin revestidas com Teflon  uma das primeiras apresentações públicas de utensílios de cozinha revestidos com o material nos Estados Unidos.

Com o tempo, o PTFE encontrou aplicações muito além das frigideiras: passou a ser utilizado em componentes elétricos, equipamentos industriais, telecomunicações, medicina e tecnologias aeroespaciais, principalmente em situações que exigem resistência química, térmica ou baixo atrito.

Décadas depois, Plunkett resumiria a descoberta como uma combinação de serendipidade, acidente e conhecimento científico.

A diferença é que, quando o gás aparentemente “sumiu”, ele não jogou o cilindro fora.

Resolveu descobrir para onde o gás tinha ido.

E encontrou um material que acabaria entrando para a história da ciência.

 

Ver Todos Fatos & Fatos

 

Ver Todos Fatos & Fatos

Compartilhe esse artigo: