
É que ficamos com a vista nublada por um tempo. Não vimos que o inquérito das fake news era um instrumento com jeitão de golpe. E depois achamos natural que o julgamento dos atos de 8 de janeiro requeria instrumentos de exceção.
Agora é tarde, legitimou-se a exceção perpetrada pelo STF. Estabelecemos como verdadeira a ideia de que a Constituição não oferece mecanismos suficientes de defesa da ordem. A ordem, então, requer instrumentos de desordem para que seja ordem. Incongruência lógica e moral desde o início. O STF é simultaneamente o garantidor da ordem e o administrador da desordem.
Era assim na biblioteca do Nome da Rosa, de Umberto Ecco: “um máximo de confusão somado a um máximo de ordem: parece-me um cálculo sublime”.
Edson de Oliveira Nunes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Berkeley. Foi Presidente do IBGE, Presidente do Conselho Nacional de Educação. É Professor Emérito da Universidade Candido Mendes. Autor




