Um País que esquece ou não sabe quem são seus verdadeiros heróis, saberá onde chegar? (por Luiz Alberto Cureau Júnior)

Agosto nos remete ao Duque de Caxias, Patrono do Exército e figura fundamental da construção da nacionalidade brasileira [...]

Acabamos de passar pelo mês do soldado. Agosto nos remete ao Duque de Caxias, Patrono do Exército e figura fundamental da construção da nacionalidade brasileira.

Certa vez, em homenagem ao Rei Pelé no CCFEx, disse que “Pelé foi o Caxias da bola”. Pelé foi além do extraordinário jogador de futebol. Foi soldado, serviu ao Exército e tornou-se referência mundial do esporte brasileiro. Caxias, em outro campo, foi estadista e pacificador, dedicando sua vida à unidade nacional.

Homens de épocas e missões diferentes, mas com algo em comum, transformaram excelência individual em patrimônio da Nação.

Talvez esteja aí uma de nossas grandes lacunas. Gerações de brasileiros cresceram conhecendo Caxias, José Bonifácio, Tiradentes, Rio Branco, Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Rondon e Tamandaré. Conhecê-los é compreender seus feitos e identificar valores que ajudaram a construir o País.

Disciplina, coragem, responsabilidade, mérito, liderança, resiliência e amor ao Brasil não pertencem apenas aos quartéis. São valores necessários à sociedade.

Caxias nos ensina liderança e unidade nacional. Rondon, persistência e integração. Santos Dumont, inovação. Oswaldo Cruz, ciência. Rio Branco, visão estratégica. Pelé, excelência e projeção do Brasil.

Esses valores também deveriam orientar nossa indústria, ciência e desenvolvimento.

Países não se tornam fortes apenas porque possuem riquezas. Tornam-se fortes quando as transformam em conhecimento, tecnologia, indústria e poder nacional. Nossa Base Industrial de Defesa necessita dessa visão, planejamento, continuidade, inovação e compromisso com o País.

O mesmo vale para as Forças Armadas. Precisamos de inteligência artificial, cibernética, satélites, drones e sistemas modernos. Mas existe algo anterior à tecnologia, o homem e os valores que orientam seu emprego.

Não existe algoritmo que substitua caráter. Não existe drone que substitua liderança. Não existe sistema de armas que compense a ausência de espírito de missão.

Modernizar não significa abandonar tradições.

Durante muito tempo, a Educação Moral e Cívica transmitiu referências sobre símbolos nacionais, personagens históricos, deveres e cidadania. Não precisamos recriar a escola do passado, mas recuperar uma verdade, cidadania também se ensina.

Podemos ensinar inteligência artificial e História, robótica e liderança, empreendedorismo e patriotismo.

Caxias não pertence apenas ao Exército. Santos Dumont não pertence apenas à aviação. Rio Branco não pertence apenas à diplomacia. Pelé não pertence apenas ao futebol. Todos pertencem ao Brasil.

Precisamos avançar tecnologicamente sem esquecer nossas raízes. Uma Nação também é formada pela memória que preserva, pelos valores que transmite e pelos exemplos que escolhe seguir.

Um país que conhece seus heróis sabe de onde veio. Um país que transmite seus valores sabe quem é. E quem sabe quem é, sabe para onde deve ir.

Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor Climático

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