Novas regras salvam o Brasileirão (por Erasmo Angelo)

Muito justo celebrar o feito alcançado por jogadores, árbitros, comissões técnicas e CBF pelo êxito [...]

Muito justo celebrar o feito alcançado por jogadores, árbitros, comissões técnicas e CBF pelo êxito registrado na 23ª rodada do Brasileirão, no último final de semana, com a observância das dez novas alterações de regras do futebol, implantadas pela Confederação naquela rodada e com o objetivo de dar velocidade ao jogo, não perder tempo e possibilitar mais dinâmica ao futebol.

O Brasileirão tinha virado uma avacalhação antes do Mundial e se perdia na mediocridade técnica das partidas disputadas nas quatro rodadas após a Copa.

A CBF demorou a ter coragem e relutou em impor logo as novas regras do futebol que já haviam sido implantadas (com absoluto sucesso) na última Copa do Mundo. A inesperada decisão da entidade, adotada uma semana antes da 23ª rodada, deixou enormes dúvidas quanto ao seu sucesso sem que se tivesse dado um prazo de preparação ou adaptação prévia para atletas e comissões técnicas, embora todos já tivessem tomado conhecimento teórico das novas normas. Duvidava-se também, e muito, da capacidade da arbitragem brasileira de absorver e aplicar, de imediato, tantas mudanças. Confesso que eu era um dos incrédulos.

Contudo, o pacote das novas regras foi implantado e teve, de um modo geral, impecável acolhimento, conhecimento e respeito por parte dos atletas e rigoroso cumprimento pelos árbitros. O saldo de tempo de bola rolando mostrou uma evolução excelente entre o que se viu no Brasileirão de antes da Copa e o registrado na maioria das partidas da 23ª rodada.

O tempo médio anterior de bola em jogo era de 52 minutos e 54 segundos para um tempo médio de 102min do total de um jogo. Ou seja, após o tempo regulamentar de 90min de uma partida, ocorria uma média de mais 12min de acréscimos que, em alguns jogos, chegavam até a 15min.  Na média dos 102 minutos do total de jogo, a divisão é, geralmente, de 4min de acréscimo na fase inicial e mais 8min no segundo tempo. Tudo consumido por cera, discussões, bolinhos, quedas, laterais, tiros de meta etc.

Na estatística de bola rolando da 23ª rodada, o jogo de maior volume foi Atlético/PR x Bragantino, com 60min e 18seg, para um tempo de jogo de 97min e 06seg. Um total de apenas 7min de acréscimos. Corinthians 1 x 2 Cruzeiro teve tempo de 99:25 e de bola rolando 56:57. Atlético-MG 3 x 0 Grêmio: tempo de 97:05 e bola rolando 57:16. Fluminense 3 x 2 Palmeiras: tempo 99:35 e bola rolando 52;12. O pior tempo de jogo foi em Vasco 0 x 3 Santos: 99:05, e pior também em bola rolando 48:58. A FIFA considera ideal um tempo de bola rolando de 60min.

Na partida Vasco x Santos, o goleiro Brazão pediu atendimento médico. No momento do reinício do jogo o árbitro aplicou a punição ao Santos, que teve de tirar de campo um jogador da equipe, por um minuto. O técnico Cuca escolheu Neymar. E o próprio Neymar, ao pedir atendimento médico no segundo tempo, foi punido e ficou fora do jogo por um minuto.

Medida elogiável ocorre quando da substituição de atleta. O jogador a ser substituído, indicado na placa por juiz auxiliar, tem 10 segundo para deixar o campo. Se ultrapassar este limite, o atleta que vai entrar tem que esperar um minuto fora de jogo até receber ordem do juiz. Na partida Atlético-MG 3 x Grêmio 0, o jogador Cuello, do Galo, deu exemplo. atravessou o gramado correndo para cumprir a nova regra e evitar que seu time fosse punido.

E os goleiros? Até então exímios na arte de fazer cera, com a nova regra  eles “ganharam” uma agilidade incrível. Os cinco segundos para reposição da bola, quando a defendem ou para colocá-la em jogo nos tiros de meta, agora causam neles um sério temor pois se descumprirem a regra o adversário é beneficiado e ganha escanteio. Um grande risco.

Prudente foi o goleiro Rafael, do São Paulo. Com dúvidas sobre a regra que coíbe a cera no tiro de meta, ele dirigiu-se à árbitra Charly Deretti antes da partida contra o Coritiba e indagou: “Quando começa a contagem?”. Charly, com calma, alertou: “O momento em que se abre a contagem é quando a gente sente que vocês estão retardando. Aí tem os cinco segundos”.

A 23ª rodada foi, sem dúvida, um êxito. Há tempos não se viam, no futebol brasileiro, jogos com tanto tempo de bola rolando, boa intensidade, fim do cai-cai, jogadores levantando-se rapidamente após choques, cobrança rápida de laterais e os melhores jogadores destacando-se em campo. Outro destaque digno de comemoração: o VAR ficou bem sumido. Tomara que as coisas melhorem ainda mais. É a promessa que o pessoal da CBF anda fazendo. Vamos torcer.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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