
Incrível. Aleluia. O pessoal da CBF acordou e, num passe de mágica, em algumas horas de reunião, a turma da Confederação resolveu partir para a guerra ao futebol avacalhado que vem sendo praticado no Brasil. Dizem que agora é para valer.
Será?
Nesta estranha época de muitas tempestades e até ciclones pelo país, o vendaval de medidas que a Confederação soprou em cima dos clubes chega a dar um alento à torcida. Ela agora quer ver se as promessas feitas na reunião da entidade com os 40 clubes das séries A e B, na última segunda-feira, no Rio, foi o corriqueiro blá-blá-blá de cartolas ou reunião de gente grande. Medidas que, aliás, já deveriam ter sido tomadas há algum tempo, logo no reinício do Brasileirão.
O tema é de conhecimento geral. Em resumo: pratica-se no Brasil um futebol que não dá jogo. É o antijogo. Todo picadinho, interrompido a cada minuto, repleto de discussões, empurrões, sucessivas faltas, “cera”, bolinhos de jogadores, falatório com juízes. Uma zorra fora de controle.
De posse dos dados de um relatório fornecido pela OPTA Stats Perform, plataforma confiável que fornece dados para mais de 20 modalidades esportivas, o pessoal da CBF deve ter levado um choque ao constatar, por exemplo, que o tempo médio de bola rolando no Campeonato Brasileiro é de apenas 52 minutos e 54 segundos. Os números são inferiores aos de todas as ligas de destaque na Europa.
Até antes da Copa (e depois dela a situação em campo piorou), o Campeonato Brasileiro teve em média, por partida, 28,6 faltas. E a média de demora por cobrança de falta é de 36,6 segundo. Então, com base em tudo de ruim que vem acontecendo em campo, a CBF reuniu os clubes para informar que todas aquelas mudanças de regras vistas na recente Copa do Mundo, e outras que serão testadas, entrarão em vigor imediatamente, já neste final de semana, na rodada 23 do Brasileirão, que começa amanhã, sábado, 15 de agosto. E também valerão para a Copa do Brasil. Objetivo: dar dinâmica e velocidade ao jogo. Não perder tempo.
Se nossos árbitros fizerem cumprir, de fato, as novas normas teremos, por exemplo: na cobrança de um lateral o jogador terá cinco segundos para colocar a bola em jogo assim que ele a tiver nas mãos. No tiro de meta, o goleiro vai dispor de cinco segundos para fazer a cobrança, caso contrário o adversário ganha um escanteio. Os goleiros, mestres em fazer “cera”, quando tiverem a bola nas mãos terão até oito segundos para fazer a reposição em jogo e se exceder ao limite o adversário terá um escanteio a seu favor. Goleiros mestres nessa “cera” são Everson (Atlético MG) , Brazão (Santos), Werverton (Grêmio e ex-Palmeiras) e Warleson (Botafogo). Atenção neles.
Jogador que for atendido no gramado terá que ficar pelo menos uns minutos fora de campo. Isto irá ocorrer quando um árbitro se curva e conversa com o atleta caído no gramado e indaga ao jogador se quer ou precisa receber atendimento. As substituições servem de pretexto para uma enorme perda de tempo. Na nova regra (a partir de amanhã no Brasileirão), o jogador a ser substituído terá 10 segundos para sair de campo. Se estourar esse tempo, o substituto só poderá entrar em campo após um minuto do reinício da partida e o jogador que gerar atraso pode levar cartão amarelo.
Medida teste relevante criada pela entidade que rege as regras do futebol, a International Board e já adotada nas ligas da Inglaterra e Espanha, também recebeu adesão da CBF e será aplicada. Se o goleiro pedir atendimento o capitão do time terá que indicar ao juiz um jogador de linha, da sua própria equipe, para ficar fora de campo durante um minuto após o reinício da partida. E “rodinha” em volta do juiz não será permitida e apenas o capitão pode falar com o árbitro. É ver para crer.
Nesta guerra pela tentativa de se ganhar tempo para que o futebol brasileiro readquira a dinâmica que a torcida exige para que tenhamos mais espetáculo e menos circo nos estádios, o papel dos árbitros brasileiros será fundamental. Até então, como vem acontecendo nos últimos anos, a maioria dos nossos juízes estão, isto sim, é contribuído para que nosso futebol seja mais circo que espetáculo. Tomara que eu esteja errado e tudo mude a partir deste sábado no início da guerra ao futebol ruim.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



