Na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o sinal amarelo já virou vermelho. Empresários e dirigentes de sindicatos estão preocupados com a escalada das crises diplomáticas do Brasil com a Argentina e Estados Unidos – dois mercados muito importantes para os produtos nacionais.
A conta, na avaliação dos integrantes da entidade, sacode cada vez mais o chão de fábrica. E há quem atribua boa parte do estrago aos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, acusados de transformar questões diplomáticas em combustível eleitoral. O problema é que tarifa, retaliação e crise internacional não distinguem eleitor de empresário: atinge a todos.
O mal-estar começou com o tarifaço. Agora, um ano depois, subiu a temperatura.
Quem também passou a ser mais cobrado foi o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Dirigentes de sindicatos ligados à entidade pressionam por uma reação mais firme, especialmente porque diversos setores sentem mais os efeitos da crise.
Há ainda uma segunda cobrança, de natureza política: o apoio de Skaf à candidatura de Flávio Bolsonaro. A pergunta que circula entre empresários é simples – e incômoda: de que maneira essa aposta eleitoral está auxiliando, na prática, a indústria brasileira?
Até agora, pelo que reclamam os críticos, ajuda mesmo não apareceu. O que surgiu foi mais tensão. E o empresário, como se sabe, pode até gostar de política. Porém, ama muito mais vender.



