Na teoria, a política externa brasileira continua pregando diálogo com todos. Na prática, a agenda de Lula conta outra história.
O presidente não reservou espaço para duas posses presidenciais que prometem redesenhar o mapa político da América do Sul. Em 28 de julho, Keiko Fujimori assume a presidência do Peru. Em 7 de agosto, Abelardo de la Espriella toma posse na Colômbia. Nenhuma das cerimônias aparece, por enquanto, no roteiro do Palácio do Planalto.
A ausência chama atenção porque Lula costuma defender uma diplomacia baseada na autonomia, na convivência entre governos de diferentes matizes ideológicos e no fortalecimento da integração regional.
Mas há um detalhe impossível de ignorar: tanto Fujimori quanto De la Espriella representam a nova onda da direita sul-americana, que vem ganhando espaço no continente.
Se a agenda permanecer como está, o discurso da pluralidade corre o risco de ficar sem carimbo no passaporte. Na diplomacia, ausências também são recados – e, às vezes, falam mais alto do que discursos.



