Eduardo Cunha não está de volta à política para cumprir tabela. O plano é bem ambicioso: voltar à Câmara vencendo a eleição para deputado federal e, dali disputar novamente a presidência da Casa, em fevereiro de 2027, quando termina o mandato de Hugo Motta. O ex-parlamentar aposta que uma votação expressiva por Minas Gerais lhe devolverá o peso político necessário para recolocar seu nome no centro do jogo de Brasília.
Nem mesmo o novo capítulo da Operação Transparência parece alterar seus cálculos. Alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de direcionamento irregular de emendas parlamentares para municípios mineiros, mesmo sem mandato, o ex-presidente da Câmara que acaba de ter bens bloqueados pelo STF, no valor de aproximadamente R$ 6 milhões, demonstra ainda assim convicção de que o episódio não compromete a sua campanha.
A contabilidade de Cunha passa, mais uma vez, pelo Centrão. É desse bloco que espera tirar muitos dos votos necessários para repetir um feito que conhece bem: ocupar a cadeira mais poderosa da Câmara dos Deputados.
Em Brasília, quem sobrevive politicamente costuma aprender uma velha lição: o passado pesa, mas, para alguns, ele não é fardo suficiente para impedir novos voos.



