
“Mais uma humilhação”. Esta manchete do Suddeutsche Zeitung, de Munique, publicada após o vexame da Alemanha em sua eliminação da atual Copa do Mundo, dia 29 último, diante do Paraguai, retrata a realidade do que foi a campanha alemã e o seu novo fiasco técnico, individual e coletivo em um Mundial.
O site do jornal também reconhece que a seleção estava voltando para casa “após uma eliminação totalmente merecida”. Outro que externa o sentimento atual do futebol alemão com o desastre da equipe nacional na Copa é o Bild, de Berlim, jornal mais influente do país, ao admitir: “Mais um pesadelo”.
Sim, um pesadelo que vai custar alguns anos na remontagem do modelo alemão de tratar a reconstrução da seleção nacional, muito embora em relação aos clubes e sua liga, os times, liderados pelo poderoso Bayern, de Munique, recheados por seus inúmeros craque adquiridos no exterior, devam ter suas performances praticamente mantidas, notadamente na milionária Champions League. A conferir.
Fato é que a Alemanha, lembrada pelo justo título da Copa de 2014 conquistado no Maracanã, sobre a Argentina, tem como principal recordação daquela campanha o golpe gigantesco aplicado na Seleção Brasileira, goleada impiedosamente por 7 a 1, no Mineirão. Uma glória sempre festejada por sua torcida pois, afinal, a Alemanha foi campeã derrubando as duas maiores potencias sul-americanas, Brasil e Argentina. Tudo bem.
Depois daquele feito, a seleção alemã murchou.
Em terras russas, na Copa de 2018, os alemães chegaram esbanjando favoritismo e deram um vexame histórico. Começaram com derrota para o México (1 a 0). Em seguida, suaram para fazer 2 a 1 sobre a Suécia. O adeus foi melancólico. Derrota, com atuação grotesca, para a Coréia do Sul, por 2 a 0. A mídia alemã foi impiedosa, pois desde 1938 a seleção jamais havia sido eliminada em copas na primeira fase.
Mas, não ficou nisso. A tragédia alemã teve repeteco quatro anos depois, em 2022, no Mundial disputado no Catar. Logo na estreia, um grande desastre: derrota de 2 a 1 para o Japão. Na partida seguinte, empate de 1 a 1 com a Espanha. No terceiro jogo, vitória de 4 a 2 sobre a fraca Costa Rita, resultado que deixou a Alemanha eliminada pelo saldo de gols, que beneficiou a Espanha.
Na atual Copa, a Seleção da Alemanha não teve um papel muito diferente dos fiascos de 2018 e 2022. Viveu um início enganador pois ganhar de Curaçao por 7 a 1 não representa praticamente nada já que o adversário pratica um futebol beirando o elementar. Depois, venceu (2 a 1) sem méritos a Costa do Martim e em seguida perdeu por 2 a 1 para o Equador, com uma atuação medíocre.
E não parou por aí. Repetiu a mediocridade (inclusive na decisão por pênaltis) ao ser eliminada pelo Paraguai com uma atuação de pasmar. Assim, a Alemanha deu adeus à Copa e foi embora para casa sem ter o que lamentar de sua justa eliminação. Deixou para trás um legado de quatro títulos mundiais.
Os países que foram campeões de mundiais recordam sempre os seus times memoráveis, repletos de craques fabulosos. Assim faz o Brasil, que jamais se esquece da espetacular seleção da Copa do 70, no México, com Pelé no apogeu de sua carreira. A Alemanha também tem o seu time inesquecível. O da Copa de 1974, liderado por Franz Beckenbauer e com estrelas como Sepp Maier, Overath, Hottger, Vogts, Paulo Breitner, Gerd Muller.
Bem, se o que está sobrando agora para o lado germânico do futebol é a nostalgia, então o torcedor saudosista alemão, que viu essa brilhante seleção de 1974 e presenciou os vexames recentes, deve estar indignado e a vociferar: “Que decadência!…
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



