
Se você acredita em pesquisa de intenção de voto para senador, é míope e inocente. Nos ambientes da política e da estratégia eleitoral, miopia e inocência levam à derrota. Se você é candidato ao Senado ou estrategista de um candidato, desconsidere, portanto, as pesquisas de intenção de voto. Analise a conjuntura, em particular, o desempenho dos candidatos ao governo do Estado.
As eleições para o Senado dependem fortemente do desempenho do candidato a governador. Desde 1994, nos estados do Nordeste, 73 dos senadores eleitos estavam alinhados aos governadores vitoriosos. Em Pernambuco, entre 1994 e 2022, 83,3% dos senadores eleitos eram alinhados ao governador vencedor. No Ceará, considerando o mesmo período, o percentual é idêntico. Portanto, a história eleitoral comprova aquilo que todo estrategista e político precisa saber: governadores eleitos tendem a eleger senadores.
Olhando para Pernambuco, as eleições de 2010 e 2018 sofreram influência do lulismo e do petismo, pois Humberto Costa, membro histórico do PT, foi eleito e reeleito. Contudo, ele também estava alinhado aos governadores eleitos, Eduardo Campos (PSB) e Paulo Câmara (PSB), respectivamente. Na eleição de 2022, Teresa Leitão, do PT, foi eleita em razão do lulismo e do petismo, em uma disputa acirrada para o governo do Estado, vencida por Raquel Lyra (PSDB), que optou pela neutralidade na eleição presidencial. Considero a eleição de Teresa uma exceção, embora a competitividade da disputa para governador e a força do lulismo também tenham influenciado o resultado da eleição para o Senado.
No Ceará, em 2014, Camilo Santana, do PT, foi eleito governador, mas o senador eleito foi Tasso Jereissati, do PSDB e ex-governador. Na eleição de 2018, com duas vagas em disputa, Camilo Santana foi reeleito e Jair Bolsonaro (PSL) eleito presidente da República. Nesse contexto, o camilismo e o lulismo contribuíram para a eleição de Cid Gomes, enquanto o bolsonarismo favoreceu Eduardo Girão. Quem elegeu Tasso Jereissati foi a memória do eleitor, uma vez que ele havia sido um governador bem avaliado. Assim como em Pernambuco, esses casos fogem à regularidade observada. São exceções, embora as causas de seus sucessos eleitorais sejam conhecidas e conjunturais.
Pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência, por meio do Método SEP (Sentimento – Estratégia – Previsão), realizadas em diversos estados do Nordeste, confirmam o que a história eleitoral da região revela: governadores eleitos tendem a eleger senadores. Exceções existem, como demonstrado, mas constituem desvios da regularidade observada. Todavia, lembro: a depender da estratégia do candidato ao Senado, novos desvios dessa regularidade podem surgir.
*Artigo originalmente publicado no O Povo
Adriano Oliveira é Cientista Político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa qualitativa & Estratégia.



