A educação federal brasileira vive mais um daqueles momentos em que a matemática desafia a retórica. Desde a semana passada, reitores e gestores de universidades estão fazendo o que nenhum acadêmico sonhou ao ingressar na carreira: escolher entre pagar a conta de luz, manter a limpeza dos campi, reforçar a segurança ou preservar bolsas estudantis.
O problema nasceu do bloqueio de R$ 1,6 bilhão nas verbas do MEC, que alterou o fluxo de repasses e lançou instituições em um exercício permanente de administração da escassez.
Nesse cenário, causa estranheza o entusiasmo do governo federal em ampliar a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. A expansão promete novos campi, novas unidades e novos investimentos. A pergunta é simples: se falta dinheiro para manter o que já existe, de onde virão os recursos para sustentar o que ainda será inaugurado?
Em março de 2024, Lula perguntou: “Por que a gente não pode marcar mil instituições técnicas?”. A resposta talvez esteja menos na vontade política e mais na planilha orçamentária.
Na semana passada, durante a 156ª reunião do Conif, dirigentes dos institutos federais apelaram ao MEC por um reforço de R$ 250 milhões no Projeto de Lei Orçamentária de 2027. Não para erguer prédios monumentais ou laboratórios futuristas. O dinheiro serviria para despesas tão banais quanto indispensáveis: alimentação escolar, compra de equipamentos e pagamentos de serviços terceirizados.
É o velho problema brasileiro. Cortar fitas rende fotografia. Manter as portas abertas exige orçamento. E o orçamento, ao contrário dos discursos, não pode ser expandido por decreto. A conta, por enquanto e infelizmente, continua sem fechar.



