
Quem vem dedicando atenção às arbitragens da Copa do Mundo, dever ter notado como, de um modo geral, as mudanças provocadas pelas novas regras do futebol e que passaram a vigorar neste Mundial, serviram aos objetivos principais da FIFA: redução da perda de tempo nas partidas e melhorar a transparência das decisões em campo.
O que de melhor está ocorrendo é, sem dúvida, a questão da redução da perda de tempo durante os jogos. O que já se pode notar é que os jogadores estão tomando muito cuidado para não mais se estatelarem no gramado após qualquer embate mais duro contra os rivais, quase sempre em visíveis simulações.
Aliás, este é o maior vício atual no futebol brasileiro, no qual as simulações e longos atendimentos no gramado paralisam constantemente os jogos, forçando descontos que chegam a 10, 12, 15 minutos e provocando permanente irritação ao público. O cai-cai virou mania no futebol brasileiro.
Se um time está vencendo por placar apertado, dificilmente uma partida por aqui tem um desfecho normal. As ocorrências são comuns em praticamente todos os jogos. Atletas sentindo câimbra, quedas sem motivo no gramado, simulações de faltas, goleiros constantemente caindo, pedindo atendimento e fazendo “cera”, laterais e tiros de meta cobrados após longas demoras são marcas dos atletas no Brasileirão. Obviamente, instruídos por suas comissões técnicas.
A Copa está mostrando, até agora, que a “malandragem” dentro de campo pode mesmo ser contida e punida pelo trio de arbitragem, com a ajuda da estupenda tecnologia ora à disposição de juízes e bandeiras em todos os estádios, a vigiar cada centímetro do campo de jogo.
Os jogos da Copa, com a condução de arbitragem rigorosa na aplicação das novas regras, mostram que o futebol está ganhando quanto ao tempo útil de bola em jogo. Os tiros de meta e reposição pelos goleiros estão agora agilizados pela contagem dos cinco segundos. Os goleiros precisam ficar atentos pois a demora na reposição da bola pode lhe valer (e ao seu time) punição com escanteio em favor do adversário. É um risco sério. Já imaginaram se por causa desta tentativa de “malandragem” e a punição por escanteio o time rival marcar um gol?
A demora na cobrança de um lateral, aqui no futebol brasileiro, é assustadora. Há jogadores que se especializaram na “cera” quanto ao cumprimento desta regra. Pegam a bola, enxugam debaixo da camisa, fingem que vão arremessar e ficam levantando a mão, acenando para os companheiros, dando passos para os lados, gastando intermináveis segundos para colocar a bola em jogo.
Os efeitos práticos das novas regras são sentidos positivamente no Mundial. Na cobrança de lateral, por exemplo, o jogador tem agora cinco segundo na contagem feita pelo árbitro, com a mão erguida, para lançar a bola, caso contrário o lance será revertido para o time adversário.
Os leitores notaram como aquelas irritantes interrupções para atendimento a jogadores caídos nos gramados (outro vício terrível no futebol brasileiro) praticamente não tem ocorrido na Copa? A razão é simples. A nova regra determina que qualquer jogador atendido por equipe médico (exceto o goleiro) terá que permanecer por, no mínimo, um minuto fora de campo até ser autorizado pelo árbitro para voltar ao jogo.
Aqui, no nosso futebol, a ocorrência constante de cair no gramado para fazer “cera” e simular câimbra, por exemplo, custará ao autor da “malandragem” a punição de ir para fora de campo e ficar por lá pelo prazo mínimo de um minuto à espera de ordem para retornar à partida. Minuto que pode ser fatal para sua equipe, que estará momentaneamente com 10 jogadores em campo.
Na nova regra, o goleiro que faz uma defesa e mantém a posse da bola, com as mãos ou braços, por mais de oito segundos será punido com a marcação de um escanteio em favor do adversário. O árbitro tem que fazer um sinal visual indicando ao goleiro os cinco segundos finais (dos oito previstos) para ele fazer a reposição.
Há várias outras mudanças nos regulamentos das regras e elas implicam, diretamente, no comportamento dos jogadores, atuação de goleiros, procedimentos da arbitragem e até o uso do VAR. Após a Copa, tudo estará valendo em todo o mundo. No nosso caso, também no Brasileirão, que recomeça em 22 de julho. É esperar para ver como tudo isso irá funcionar junto aos nossos árbitros e jogadores. Lembrando que os juízes da CBF ganharam há dias um novo chefe. Agora é o polêmico ex-árbitro Sandro Meira Ricci.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor




