
Estivesse vivo Gabriel Garcia Marques, o Gabo, completaria 97 anos no último 6 de março, mês escolhido pelos seus filhos Rodrigo e Gonçalo Garcia Barcha pera o lançamento internacional, em mais de 70 países, do livro póstumo “Em agosto nos vemos”. Tão supersticioso quanto qualquer mortal, Gabo tinha suas preferências e crenças – gostava de rosas amarelas, não usava ternos, recebeu o Nobel de Literatura vestido com a tradicional guayabera Colombiana e não gostava do mês de agosto, “trae mala suerte”. Mas Gabriel Garcia não era um mortal comum, autor de mais de vinte livros, jornalista, roteirista, editor, ativista e político colombiano, chegou a disputar a Presidência da República de seus país. Perdeu. Considerado um dos mais importantes autores do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em mais de 36 idiomas. Com “Cem anos de solidão” e conjunto de sua obra, ganhou o Nobel de literatura em 1982, um livro épico sobre uma família fictícia, Buendia, na imaginária cidade de Macondo, um marco na literatura mundial, retrata um universo mágico habitado por desejos, sonhos e paixões, descritos em insuperável talento poético.
Seu livro póstumo, “Em agosto nos Vemos”, segue a sua inconfundível forma de narrativa, deixando no leitor o agradável reencontro com o DNA literário mais festejado dos últimos tempos. É sem dúvida mais uma legítima e consistente obra de Gabriel Garcia Marques, em nenhum momento deixando de ser coerente, legítimo e equilibrado, diferentemente do que a crítica chegou a divulgar, como se o Gabo estivesse ruim da cabeça ou depressivo, ao escrever seu último livro, cinco vezes corrigido. Uma forma que mais parece uma estratégia de marketing para divulgação do lançamento, o que me parece desnecessário, dado à qualidade do autor e da obra. A história de Ana Magdalena Bach, e suas viagens no mês de agosto, à ilha onde sua mãe está enterrada para levar flores, é contada de forma brilhante, detalhes só possíveis na mente privilegiada do autor. Seus encontros clandestinos com os amantes ocasionais e anuais têm o poder de revelar a alma sensível da personagem. Considero um livro à altura de “Crônica de uma morte anunciada” ou “O amor nos tempos do cólera”, ambos do mesmo autor, merecendo de quem gosta de ler, e do estilo inconfundível de Gabo, deixar-se encantar com a história de “Ana Magdalena Bach, mulher bem casada, 46 anos, vinte e sete de matrimonio bem estabelecido com um homem que amava e que a amava, com quem se casou sem terminar o curso de Artes e Letras”.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



