
“Meu amor, olha só, hoje o sol não apareceu / É o fim da aventura humana na Terra…”
(Trecho da canção de Umberto Tozzi, 1982; sucesso em 1983 com a banda Rádio Táxi)
Na cronologia da minha vida, já passei dos cinquenta. Comecei minha jornada em meados da década de 70, sob a Ditadura Militar, enquanto guerras pipocavam pelo mundo afora.
Mesmo após os horrores do nazismo e do Holocausto, o “olho por olho, dente por dente” persistia; não havia sinal de evolução.
Hoje, a tão esperada “evolução da paz” — pregada nas igrejas, escrita em poemas e cantada em belos versos — ainda não se concretizou.
Dizem que viver em paz é utopia, mas eu penso o contrário: viver em meio a essas constantes guerras é que é a verdadeira utopia.
Veja o povo da Palestina nos escombros do que restou de sua nação, os ataques ao Irã, a guerra sem fim na Ucrânia e tantos outros conflitos que a mídia pouco destaca.
Todas as pessoas que habitam esses lugares vivem seus dias sob o risco iminente da morte; vivem a utopia de estarem vivas “por enquanto”.
Perto ou longe dos campos de batalha, todos sentimos os reflexos dos conflitos: arrochos econômicos, inflação, ameaças autoritárias e grupos que tentam nos empurrar para o embate.
A guerra tornou-se um grande negócio para poucos e um risco para todos, transformando a paz em um conto de fadas de um mundo que não parece ser o nosso.
Aldeir Ferraz é Político e Escritor



