No Brasil, até a poluição tem contrato com prazo para renovar. Em agosto, vence o acordo que garante o fornecimento de cal uruguaio da Cementos del Plata para a Âmbar Energia. Parece detalhe técnico – mas é o que mantém funcionando a engrenagem ambiental da Usina Termelétrica de Candiota (RS). O insumo reduz a emissão de dióxido de enxofre do carvão queimado na unidade. Sem ele, a conta ambiental sobe – e a chuva ácida agradece.
Enquanto cresce a pressão para desligar termelétricas a carvão no país, na prática o roteiro é outro. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o novo marco do setor elétrico, garantindo a sobrevida de Candiota até 2040. Ou seja, o carvão segue firme – com ou sem constrangimento.
Nesse cenário, entra a estatal ANCAP, dona da Cementos del Plata, que se prepara para renegociar o contrato com o grupo J & F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Para os uruguaios, não é só mais um cliente. É o cliente. A Candiota, hoje, sustenta sozinha a fábrica de cal do país vizinho.
No fim das contas, todo mundo depende de todo mundo: a Região Sul do carvão, o Uruguai do cal, e o discurso ambiental… bem, esse fica para depois.



