
No final do filme “Planeta dos Macacos” (1968), de Franklin Schaffner, Charlton Heston, na frente do que restou da Estátua da Liberdade semienterrada nas areias à beira mar, diz, em prantos: – “Seus demoníacos! Vocês o fizeram! Vocês arrebentaram tudo! Oh, malditos que sejam! Que Deus os amaldiçoe e os levem para as profundezas do inferno!”
O que fazer para não chegarmos a um fim sem solução?
O grau de deterioração que iremos chegar na economia e no mundo é propício à guerra nuclear e à autodestruição. Com no dito de Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, o único capaz de destruir a sua própria espécie; ou, fazendo uso da terminologia da Mitologia Romana, o homem é mais para Marte, Deus da Guerra, do que para Vênus, Deusa do Amor.
Dizia Maquiavel, que “o homem chora mais a perda de seu patrimônio do que a morte de seu próprio pai”. Eis aí o problema. O homem faz tudo por dinheiro. E quando as amarras sociais se soltam, como na quebra das democracias, no final das leis, e na escassez de bens sociais, aí, então, “a vaca vai pro brejo”, a passos largos.
Elson Pimentel, em seu artigo “‘Uma ética para o planeta ameaçado” (2026), diagnostica a necessidade de uma nova ética, não que ela venha por consenso, mas por medo. Em suas palavras, “surge uma ética do limite, da prudência e da contenção: nem tudo o que é tecnicamente possível deve ser realizado. Se a técnica ampliou o poder, a ética deve ampliar o cuidado”, onde se deve “agir de modo compatível com a permanência da vida na Terra”. O conceito fundamental é o “medo”. “Não se trata do medo natural que paralisa, mas de um princípio heurístico, isto é, uma regra orientadora de prudência que rompe com o otimismo ingênuo… Ele nos obriga a exercitar a imaginação moral para visualizar desastres prováveis e para agir preventivamente, tornando o futuro concreto nas deliberações presentes”.
Segundo Freud, o medo é um conceito não somente “patológico”, mas ligado à “auto preservação”. Em Nietzsche, um instrumento que serve para “domesticar o ser humano”. Em Heidegger, uma condição para “uma vida autêntica”. É deste “medo” que estamos falando. Do “renascimento da ideologia”, não de propostas, mas de soluções. Da vida, pelas linhas tortas.
Certamente chegaremos à beira do abismo.
Se não mudarmos à beira do abismo, entretanto, chegaremos à situação prescrita no filme “A Máquina do Tempo” (1960), de George Pal, baseado na obra de H. G. Wells, onde Rod Taylor chega a um futuro pós guerra nuclear onde o homem é dominado por uma subespécie hominídea degenerativa do que então era conhecido como Homo Sapiens.
E chegamos à velha indagação de Lenin: “O que fazer?”. Somente na beira do abismo o homem poderá mudar o seu destino, no reconhecimento de que menos vale mais, e que a vida deve se sobrepor à intencionalidade da morte. Não que isto será feito com facilidade e harmonia. Muito pelo contrário, parodiando Churchill, será feito sob “sangue, lágrimas e suor”. A paz será implantada pela violência, moeda mais fácil do homem entender.
O homem será regido por ideologias esdrúxulas, com o autocontrole social pela técnica e pela ciência, a única maneira de sobreviver. Até que, quem sabe, em um futuro bem distante, o sol possa novamente nascer!
Lembra-te que:
“Em guerras, o homem é tomado por ódio e arrogância. Calculam mal o que fazer. Se esquecem do o que realmente são. Como os Imperadores de Roma ao chegarem de guerras e conquistas em uma carruagem com um escravo dizendo em seus ouvidos “lembra-te que és mortal”.
Os homens têm dificuldade em aprender com seus erros. A guerra se repete ao longo dos séculos, o que impede o amanhecer do amanhã.
Toda glória é efêmera.”
Deus, tenha piedade de nós!
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”



