Maquiavel dizia que “é mais fácil chegar ao Principado do que manter o Principado. Não que chegar seja fácil”.
Trump tomou a Venezuela, e agora fazer o quê?
A reunião de Trump com as Petrolíferas Norte-Americanas não foi como esperado. As Petrolíferas hesitam em investir na Venezuela.
A Venezuela detém 18% das reservas mundiais de petróleo, a maior reserva mundial de um país, mas entre o seu potencial e sua viabilidade no momento repousam dúvidas.
São os seguintes os principais fatores. Primeiro, a Venezuela hoje produz somente 1 milhão de barris-dia de petróleo, para o total de 90 a 100 milhões de barris-dia produzidos no mundo. Segundo, os poços de petróleo da Venezuela não estão em bom estado, e o investimento para a produção e aumento da extração no país é muito alto, e de longo prazo. Terceiro, a Venezuela é vista ainda como um país politicamente instável, certamente, sem que sejam dadas ou que existam garantias de permanência dos investidores a longo prazo. Quarto, o preço do petróleo está hoje em queda, com a OPEP estudando a desaceleração na produção. Quinto, os investidores desejariam garantia do Governo Americano para os seus investimentos, diante de futura possíveis expropriações, garantia pouco provável dado o funcionamento dos setores financeiro e governamental do país, com a avaliação por parte dos empresários de possível curto prazo de permanência de Trump na Presidência do país.
Parece que os resultados da invasão da Venezuela foram supra dimensionados. Como caricatura, parodiando o episódio de Garrincha no Campeonato Mundial de Futebol de 1958 recebendo instruções de Feola de como ganhar o jogo contra a Rússia, teria perguntado se aquilo “já havia sido combinado com a defesa do adversário”. O setor petrolífero foi pego de surpresa.
Imbróglio à vista. Parece que a conta da atual invasão acabará indo, a curto prazo, como fundo perdido para o taxpayer americano pagar. É o tiro saindo pela culatra.



