“The State of the Union” e a Diplomacia da Guerra (por Ricardo Guedes)

“The State of the Union”, nesta 4ª feira passada, de Trump ao Congresso Americano, mostrou o quadro nítido de argumentos políticos e ideológicos desvirtuados ou sem [...]

The State of the Union”, nesta 4ª feira passada, de Trump ao Congresso Americano, mostrou o quadro nítido de argumentos políticos e ideológicos desvirtuados ou sem a fundamentação em dados. O que mais impressionou, a alguns observadores, foi o apoio enfático e irrestrito a Trump por parte dos Republicanos, independentemente da veracidade ou não dos argumentos.

A Democracia Americana foi fundada durante a Revolução Americana, e revalidada após a Guerra Civil, com a interveniência de Roosevelt na sequência do New Deal, após a Grande Depressão, na estabilização de um equilíbrio entre as classes.

É verdade que alguns autores americanos, como Timothy Snyderem em “On Tyranny: twenty lessons from the Twentieth Century” (2017) e Noam Chomsky em “Requiem for the American Dream: the 10 principles of concentration of wealth & power” (2017), dentre outros, caracterizam o GOP, “Grand Old Party”, o núcleo do Partido Republicano, em sua maioria, como não democrata, compelidos à democracia que foram por seus oponentes, do Partido Democrata. Os enfáticos aplausos à Donald Trump no “The State of the Union”, sem fundamento de dados, demonstra o apoio unilateral aos interesses econômicos imediatos das classes dominantes pelos Republicanos, em sua grande maioria, independentemente da vontade do “people of America”.

O declínio das classes médias e as dificuldades dos Estados Unidos no mercado internacional proporcionam a ascensão de líderes radicais da direita em detrimento dos princípios democráticos.

Trump representa o ”Big Capital”, na seguinte ordem: 1- Petróleo; 2 – Sistema Financeiro; 3 – Big Techs. Trump atua nas frentes interna e externa. E para tal, faz uso da “Diplomacia da Guerra”. Internamente, o ICE, sem poder legal de polícia, age de acordo com a Casa Branca; as deportações extrapolam os limites da lei; e as tarifas alfandegárias de Trump foram consideradas como ilegais pelo Supremo, no momento já contornadas por Trump através do “Trade Act” de 1974 que permite tarifas temporárias por até 150 dias sem a autorização do Congresso. Externamente, os Estados Unidos, então à mesa de negociações com o Irã, e sem solicitar autorização ao Congresso, ataca o Irã em conjunto com Israel, desta vez mais amplamente, atingindo o bunker e matando Ali Khamenei, assim como instalações militares e civis. A ação política e militar na Venezuela também não foi precedida de autorização do Congresso.

Trump diz que o poderio militar dos Estados Unidos é sem paridade, mas os poderios militar da Rússia e da China são igualmente equiparáveis em seu poder de destruição.

Trump atinge hoje somente 39% de apoio nas pesquisas, com futuro eleitoral incerto nas “Midterm Elections” deste ano e nas Eleições Presidenciais de 2028.

As ações de Trump, entretanto, podem vir a levar a uma quebra da ordem institucional nos Estados Unidos, à frente, embora dificultosa, devido à forte institucionalização da Lei no país, e dos 60% da população descontentes com a economia e com as ações de Trump no Governo.

A ver.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança” 

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