
E o velho estava ali agachado, com a fumaça à sua volta; trazia um cigarro de palha na boca e o rosto coberto por uma barba rala.
Sua enxada estava encostada, junto à moringa de água, na sombra de uma mangueira. Olhava o relógio de bolso: quase hora de ir. Mexia no seu isqueiro de pavio, molhado em querosene, para manter aceso o seu ritual de fumar.
Estava ali a escutar a seriema a gritar no pasto e uma cigarra a cantar no tronco; via também as formigas aceleradas, entrando na toca com as folhas verdes que cortavam de todo lugar.
Lá no céu, espiava as nuvens se formarem em “covas“, como se fossem roça pronta para plantar.
− “Céu covado, chão molhado”, é o que sempre ouviu falar.
E, na tradição que guardava, chegando o dia de São José, 19 de março, a chuva há de chegar.
Aldeir Ferraz é Político e Escritor



