A diplomacia brasileira resolveu praticar um esporte curioso: o silêncio. A pergunta é simples: o país ainda apoia Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas? A resposta, até agora, é um constrangedor “vamos ver”.
A candidatura nasceu com pompa em fevereiro, embalada por Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Sheinbaum (México) e o então entusiasmo chileno. Só que o roteiro mudou. O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, resolveu puxar o freio e tirou Bachelet da pista, alegando excesso de candidatos latino-americanos no páreo. Traduzindo: cada um por si.
Desde então, o Brasil virou espectador da própria articulação. O Ministério das Relações Exteriores empurrou o assunto para o Palácio do Planalto, quando questionado pelo Capabrasil na última quarta-feira, a Presidência não responde, e a política externa fica em modo espera.
Enquanto isso, no México, Claudia Sheinbaum fez o que se espera de quem entrou no jogo: saiu em defesa da candidata, elogiou, reforçou suas habilidades para liderar a ONU e disse que vai falar com Bachelet nos próximos dias. Ou seja, jogou.
Se Lula continuar na muda, corre o risco de perder mais do que uma candidatura. Perde o discurso. Afinal, não dá para cobrar mais representatividade da ONU e, na primeira turbulência, recolher a bandeira.
No fim, a dúvida não é sobre Bachelet. É sobre o Brasil – se ainda quer liderar ou prefere assistir.





