Quem ganha no Ceará? (por Adriano Oliveira)

As recentes pesquisas de intenção de voto divulgadas no Ceará para o governo do Estado têm trazido [...]

As recentes pesquisas de intenção de voto divulgadas no Ceará para o governo do Estado têm trazido mais dúvidas do que previsões. É verdade que elas representam o retrato do momento. Todavia, quando divergem entre si, apesar de terem sido realizadas em períodos semelhantes, as incertezas sobre o vencedor aumentam. Em razão disso, só analiso uma pesquisa de intenção de voto após utilizar o Método Qualitativo SEP (Sentimento – Estratégia – Previsão) da Cenário Inteligência.

O referido método revela os sentimentos dos eleitores e constrói previsões eleitorais. Sendo assim, afirmo: não existem favoritos na eleição para o governo do Ceará. Elmano de Freitas ou Ciro Gomes pode vencer a eleição no primeiro turno. Existem condições propícias e riscos para ambos. No caso de Elmano, a aliança com o presidente Lula e com o senador Camilo Santana, além do reconhecimento do eleitor em relação aos avanços nas áreas da educação, emprego e infraestrutura, coloca-o em condições de vencer a disputa. Destaco que existe um ciclo virtuoso no Ceará, reconhecido pelo eleitorado e iniciado com Camilo Santana quando governador.

O sentimento de medo é a principal ameaça à reeleição de Elmano. Para parcela dos votantes, o governador não age e não tem força para enfrentar as organizações criminosas que atormentam todos os cantos do Estado. É esse forte sentimento de medo que favorece a candidatura de Ciro. Este é visto como experiente, inteligente e competente, com condições de enfrentar o crime organizado que Elmano, de acordo com parcela dos eleitores, não enfrenta. Por outro lado, parte do eleitorado se opõe a Ciro em razão de suas contradições políticas, com destaque para a aliança com o bolsonarismo, além do temperamento explosivo e da arrogância. Esses qualificativos, detectados em pesquisas qualitativas, ameaçam o sucesso eleitoral de Ciro Gomes.

Estão presentes dois sentimentos concorrentes entre os eleitores cearenses. O primeiro é o de mudança, que leva eleitores a optarem por Ciro por acreditarem que ele é capaz de promover uma segurança pública eficiente. Ao mesmo tempo, parte desse eleitorado reconhece méritos em Elmano e deseja que ele enfrente os grupos criminosos. O outro sentimento é o de continuidade, que leva eleitores a desejarem a reeleição do atual governador em razão do seu trabalho, do ciclo virtuoso do Estado iniciado com Camilo Santana e da aliança com o presidente Lula.

Diante da ausência de favorito e da existência de dois sentimentos fortemente concorrentes, é a estratégia de cada um dos candidatos que definirá a eleição. Vencerá aquele que for capaz de convencer o eleitor de que pode combater o crime organizado sem interromper o ciclo virtuoso iniciado por Camilo Santana. A nacionalização da disputa terá efeito favorável a Elmano, mas não necessariamente decisivo, em razão da força de Lula e da aliança de Ciro com o bolsonarismo. Ciro precisa parecer confiável, e não um agitador de massas.

*Artigo originalmente publicado no O Povo

Adriano Oliveira é Cientista Político, Professor da UFPE, e Fundador da Cenário Inteligência: Método Qualitativo SEP & Estratégia

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