(quando a IA começa a funcionar bem demais) (por Daniel Branco)

Faz algumas semanas que eu não escrevo aqui. E não foi por falta de assunto. Foi por falta de começo. [...]

Faz algumas semanas que eu não escrevo aqui.
E não foi por falta de assunto.

Foi por falta de começo.

Quem escreve com frequência sabe.
Às vezes o problema não é desenvolver uma ideia.
É iniciar.

Eu poderia ter pedido para a Inteligência Artificial escrever um artigo para mim.
Seria fácil. Provavelmente ficaria bom.
Talvez ninguém percebesse.

Mas eu não fiz.

Não porque eu seja contra usar IA.
Muito pelo contrário.

Eu uso Inteligência Artificial todos os dias.
Uso para organizar ideias, estruturar raciocínios.
Aprimorar textos. Testar abordagens.

Sou especialista em IA aplicada.
Seria estranho não usar.

O que eu não faço é deixar a IA decidir o que eu quero dizer…
…ou por que eu quero dizer.

E naquele momento, eu simplesmente não sabia.

Esse “branco” não ficou restrito à escrita.
Comecei a perceber o mesmo padrão em outros projetos.
Em outras frentes de trabalho.

Tudo cansava rápido.
Tudo parecia pesado demais para começar.

Uma ansiedade silenciosa.
Não dramática.
Mas presente, ela estava ali, incomodando.
(talvez fosse a culpa de sentir que não estava entregando)

E foi aí que algo curioso aconteceu.

Eu comecei a delegar cada vez mais para a IA.
Não por estratégia. Por necessidade.

E funcionou.

Funcionou muito bem.

Apresentações que eu não conseguia nem estruturar saíram melhores do que qualquer outra que eu tinha feito nos últimos anos.

Eu alimentava a IA com contexto. Áudios. Referências.
Percepções gravadas em áudio e convertidas em texto.
Ela devolvia estrutura.
Eu ajustava. Ela refinava.

O projeto andava.

Quando entreguei uma dessas apresentações, ouvi algo inesperado:
Foi a melhor apresentação que eu tinha feito desde 2021.

E era verdade.

Mas ali apareceu o alerta.

A IA estava funcionando perfeitamente.
Quem não estava, era eu.

Ela me ajudou a destravar.
Me ajudou a produzir.
Me ajudou a entregar.

O que ela não fez, e não faria,
foi perceber que eu precisava parar um pouco.

Cuidar do ritmo.
Cuidar da cabeça.

A IA não cuida da gente.
Ela não sente.

Ela não percebe excesso.

Ela executa.

E isso não é um defeito.
É exatamente o que ela foi feita para fazer.

Talvez o aprendizado desse período tenha sido esse:

A IA pode ser uma muleta excelente.
Mas muletas não substituem cuidado.

Delegar tarefas ajuda.
Delegar decisões pode funcionar.
Delegar o próprio estado interno, não.

No fim, não adianta ter o melhor software rodando
se o hardware está exausto.

A IA não vai dizer quando é hora de parar
nem quando é hora de voltar.

Isso ainda é com a gente.

Talvez escrever este texto
seja exatamente isso.

Voltar.


Abraços (humanos)
E um Ótimo 2026 para todos nós!

Daniel Branco
Ser humano, Economista
Empreendedor e Mentor
Especialista em IA Aplicada

Compartilhe esse artigo: