O Ano Novo que celebramos hoje não nasceu de fogos, promessas ou contagens regressivas. Ele começou como uma decisão prática e profundamente política.
Na Roma Antiga, o ano não começava em janeiro, mas em março, quando a primavera surgia e as campanhas militares eram retomadas. Foi só em 153 a.C. que o 1º de janeiro ganhou importância: nesse dia, os cônsules romanos passavam a assumir oficialmente o poder. A data marcou o início do ano civil porque simbolizava mudança de autoridade e recomeço administrativo.
Décadas depois, em 46 a.C., Júlio César reformou o calendário romano para alinhá-lo ao ciclo do Sol. Ao criar o calendário juliano, ele manteve o 1º de janeiro como início do ano em todo o Império Romano, uma decisão que atravessaria séculos.
Durante a Idade Média, essa ideia quase se perdeu. Em diferentes regiões da Europa, o ano chegou a começar em datas religiosas como 25 de março ou na Páscoa, o que gerava confusão até para registrar contratos e aniversários. A padronização só voltou em 1582, quando o calendário gregoriano foi instituído pelo papa Gregório XIII, preservando o 1º de janeiro como começo oficial do ano, que é o calendário que usamos até hoje.
Há ainda um detalhe simbólico totalmente verdadeiro: janeiro recebeu esse nome em homenagem a Jano, deus romano das portas, dos começos e das transições. Ele era representado com dois rostos, um voltado para o passado e outro para o futuro, uma imagem que resume perfeitamente o espírito do Ano Novo. Assim, cada virada de ano carrega algo curioso: celebramos uma tradição que nasceu do poder romano, foi corrigida pela astronomia e sobreviveu porque ajudava o mundo a se organizar. Antes de ser festa, o Ano Novo foi ordem.



