Os mimos da CBF aos árbitros (por Erasmo Angelo)

A direção da CBF, por décadas, foi sempre alvo de críticas contundentes, seja por má condução na administração do futebol brasileiro, por [...]


A direção da CBF, por décadas, foi sempre alvo de críticas contundentes, seja por má condução na administração do futebol brasileiro, por trapalhadas, desavenças políticas, inimizades e, pior, corrupção.

Este conjunto de situações negativas fez com que o futebol brasileiro sofresse consequências dolorosas, uma das quais (e mais dramática) a de não conquistar um título de Copa do Mundo há 26 anos.

Outra sequela impiedosa nessa soma de danos, é a posição de descrédito que atingiu o futebol brasileiro em relação às grandes potências do futebol mundial. Exemplo: nas recentes eliminatórias sul-americanas para a Copa deste ano, a Seleção Brasileira terminou em 5º lugar, escapando por pouco da repescagem, o que seria o máximo dos vexames dentro do cardápio das humilhações que nosso esporte mais popular vem sofrendo.

Produto surpreendente de uma dessas muitas crises que sempre explodiram na direção da CBF, o presidente atual Samir Xaud, empresário e desconhecido dirigente esportivo de Roraima, ganha justos elogios pelas medidas ágeis e positivas que vem tomando. Ele assumiu o cargo apenas em maio do ano passado.

Sua audácia maior, até agora e entre outras, foi alterar (e bem) todo o calendário do futebol nacional. O Brasileirão, por exemplo, já começa no final deste mês e vai até o começo de dezembro. Mas, Samir tem a correta avaliação de que a arbitragem é o ponto crítico e de maior fragilidade na sua administração, com danos graves ao futebol brasileiro. É ruim demais.

O dirigente trabalha para superar o grave problema, o que, em princípio, desenha-se como um imbróglio de difícil solução porque esbarra na fragilidade técnica da maioria quase absoluta dos árbitros. Trabalha-se, agora, na reivindicada profissionalização dos juízes, como se a medida possibilitasse a eles o milagre da salvação técnica e desse a todos a indispensável virtude da arte de apitar bem o futebol.

Em mais uma ajuda, a CBF adotou outra medida de modernização para ajudar, e muito, os juízes e auxiliares (os bandeiras). No Brasileirão e na Copa do Brasil, vai funcionar a tecnologia do impedimento automático. Ela utiliza câmeras nos estádios para criar uma réplica digital, com precisão, em lances duvidosos e milimétricos. São aqueles lances de grandes polêmicas e demoradas decisões (para quem entende do assunto, os técnicos informam que cria-se uma conexão mínima de 700 Mbps ou até 1000 Mbps).

O contrato da CBF é com a Genius Sports (Esportes Geniais), empresa fundada em Londres em 2001, considerada uma das maiores em tecnologia esportiva do Planeta e parceira de grandes ligas de futebol, da NBA, NFL e de cerca de 400 organizações de esportes pelo mundo. Nos 27 estádios onde serão disputados os jogos do Brasileirão, foram implantadas 24 câmeras para captação das imagens, que a empresa promete à CBF ter estabilidade estrutural e sem vibrações de câmeras para se obter o serviço desejado.

Como se verifica, a CBF já entregou a seus juízes e está reforçando agora, o que há de melhor e mais avançado em tecnologias para desenvolvimento de jogos com o menor índice possível de reclamações. Forneceu os equipamentos do VAR, que a entidade diz ser os mesmos da FIFA e adotados na Europa. Agora, entrega a eles a tecnologia ultramoderna do impedimento semiautomático, sistema também adotado no primeiro mundo do futebol.

E para completar os mimos de Ano Novo aos árbitros, a CBF vai dar a eles a tão sonhada e reivindicada profissionalização. Os modelos (apenas modelos) que a Confederação cita como estimativa e exemplos de possíveis cálculos de salários mostram valores como de R$ 400 mil anuais (Portugal), cerca de R$ 33.330,00/mês, a R$ 2,5 milhões anuais (EUA), cerca de R$ 208.333,00 mensais. Os contratos para juízes serão anuais.

Com tantos afagos e tanto conforto tecnológico à disposição, será que árbitros brasileiros continuarão proporcionando em 2026 tantas lambanças e trapalhadas como as que promoveram ano passado?

Até que demonstrem o contrário, ainda é difícil acreditar. A tecnologia avançada veio para ajudar a modernizar o futebol, torna-lo mais ágil e zerar dúvidas. No caso brasileiro, o problema parece localizado na capacitação da força humana (a arbitragem) que conduz a tecnologia e a que trabalha nos gramados.

Erasmo Angelo é Jornalista, formado em História e Geografia pela PUC/MG. Foi Redator e Colunista do Jornal Estado de Minas dos Diários Associados, e do Jornal dos Sports/Edição MG, cobrindo o futebol e esportes no Brasil e no Exterior, em Campeonatos Mundiais de Futebol e em Olimpíadas. Atuou destacadamente na TV e na Rádio, na TV Itacolomi, TV Alterosa, Rádio Itatiaia, Rádio Guarani e Rádio Mineira. Foi Presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, na administração do Mineirão e do Mineirinho. Foi Editor da Revista do Cruzeiro. Autor

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