O Tempo e as Mulheres (por Nestor de Oliveira)

O livro “A mulher no tempo das catedrais” da francesa Régine Pernoud, desmitifica a ideia da idade média como um período das trevas no qual não [...]

O livro “A mulher no tempo das catedrais” da francesa Régine Pernoud, desmitifica a ideia da idade média como um período das trevas no qual não aconteceriam senão violências e superstições. É um estudo sistemático e fundamentado da posição das mulheres no período medieval e como resultado lança por terra a concepção de que não passavam de figuras de segunda categoria, sem nenhuma relevância para a sociedade. Os exemplos que a autora, com o rigor de pesquisadora, oferece são muitos, nas mais diversas esferas da atuação humana. Exatamente por isto, esta continua sendo uma obra importante para tempos atuais quando a polarização ideológica coloca a veracidade dos fatos em segundo plano. Olhar a história e enxergar o papel da mulher em nossa civilização é como querer decifrar um caleidoscópio, os mais diversos e incríveis momentos que superamos, até atingirmos o atual. É uma longa e nem sempre doce existência para a eterna companheira do homem. Na maioria do tempo, estou falando de milênios, a mulher foi submetida ao patriarcado, ao machismo e à subserviência. Não foi escolha dela, nem engenharia estratégica do homem, forças da natureza foram importantes agentes nesta situação.

Como nada é eterno, muito menos os costumes, mudanças da natureza e forças científicas, cuidaram de mudar radicalmente a nossa civilização. A luta para ocupação do espaço, que é seu, é um marco recente na história das mulheres, que mesmo nos mais remotos tempos, ocuparam lugares importantes – Cleópatra, Catarina a Grande, Vitória, na Inglaterra, Marie Curie, Indira Ghandi e milhares de outras, que à custa de sacrifícios e magia sobreviveram para contar. No entanto, foi a ciência quem desfez o laço para a libertação, nos anos 50 e 60 do século passado, quando criou a pílula anticoncepcional, tirando da natureza a obrigatoriedade da gravidez. Uma verdadeira libertação.

Uma nova história será contada no futuro, quando já de posse do novo papel, terá com o tempo novas conquistas importantes a realizar. No Brasil, eleitora a partir de 1932, participante da vida empresarial, econômica, jurídica, social e até jogadora de futebol, onde era proibida por lei, com o passar do tempo algumas correções serão naturais. O leitor talvez não saiba, mas nas cidades brasileiras menos que 5% das ruas e praças têm nome de mulher, menos de 5% das cidades mineiras têm nome de mulher, nenhum fórum da Justiça tem o nome de mulher, em Minas Gerais. Sinal que existe muito espaço a ser ocupado, dependendo das próprias mulheres fazê-lo. Vereadoras, Prefeitas, Deputadas, Senadoras, Presidentes bem que poderiam olhar mais de perto a questão mulher. O próprio dia internacional da Mulher ser menos romântico e mais político, com a atitude delas em não aceitar somente flores, jantar fora, palavras bonitas, mas respeito e dignidade. 

Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor 

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