
Lá se foi o tempo, bem distante dos dias de hoje, quando uma derrota da seleção brasileira diante de qualquer rival provocava um impacto que balançava as estruturas do nosso futebol e um furor na mídia. Parecia que vencer, sempre, era uma obrigação do “país do futebol”, dos reis da bola.
Esses ufanismos viraram coisas do passado. Por exemplo: a derrota para o excelente time da França (2 a 1), em Boston, foi recebida pela torcida com a resignação de um velório.
E na mídia, uns poucos (felizmente, uns poucos), apontam que um único jogador faz falta e que a salvação virá com ele. E bradam o nome do quase ex-jogador Neymar, também um quase veterano de 34 anos e que há quase quatro ou cinco anos não joga nada.
O fã-clube de Neymar chega ao ponto de apresentar argumentos banais em defesa de suas teses, como fez há dias um personagem de um programa de TV, ao dizer que a simples presença do jogador no banco de reservas do Brasil seria capaz de assombrar os adversários. Tese idiota.
Como se não bastassem os sérios problemas em que se vê envolvido para tentar armar a seleção, Ancelotti vem sendo fustigado, em todas as coletivas, por algum integrante do fã-clube de Neymar, sempre “cobrando” do treinador a convocação do atacante.
Só que desta vez e após a derrota para a França, Ancelotti parece ter perdido a paciência. Com semblante sério, cortou a arguição feita por um repórter sobre Neymar, afirmando: “Temos de falar sobre quem está jogando”. E não se tocou mais no assunto.
Pergunta-se: e mesmo se Neymar estivesse em campo contra a França, a situação da seleção brasileira seria diferente?
E razoável admitir que seria ainda pior. Nos raros jogos que fez por aqui e diante de zagueiros apenas razoáveis, o atacante revelou-se com baixa mobilidade, facilmente desarmado, lento. Com a França marcando em bloco e rápida em suas manobras, seria pouco provável que Neymar tivesse algum êxito dentro de campo.
A pressão do pequeno (mas barulhento) grupo que atua em favor de Neymar na seleção, só piora o que já não anda bem na seleção. Com menos de 70 dias para o início da Copa, Ancelotti precisa ter paz para executar um trabalho que, a cada dia que passa, parece ficar mais complicado.
Há uma caminhada difícil e delicada à espera da seleção brasileira, como ficou demonstrado no teste diante da forte e mas também desfalcada equipe francesa. Na verdade, a CBF demorou a acordar do pesadelo que ela mesmo criou e se viu envolvida, ao perder tanto tempo com trabalhos inúteis como os de Tite, Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior.
E agora, para atrapalhar ainda mais as coisas para o lado de Ancelotti, os amiguinhos de Neymar se juntaram para pressionar o treinador em favor de uma causa sem nenhum sentido.
Inventaram até um tal “controle de carga” para ilustrar a “dedicação” de Neymar na sua tarefa de voltar a jogar futebol, o que não acontece há muito tempo.
Jogar futebol? Que nada!
Seu forte, atualmente, é jogar pôquer. Léo Dias, famoso colunista de fofocas, informou que Neymar, após recusar ir a Belo Horizonte enfrentar o Cruzeiro, passou quase 24 horas jogando pôquer. E o jogador até confirmou sua “façanha”. Em entrevista ao Estadão, disse: “Estou muito contente pela minha performance” no pôquer. É um cara de pau.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor




