O Mistério de “Haile João” (por Aldeir Ferraz)

Esta é uma daquelas histórias de quem tem muita estrada e um João que rodou o mundo em seus [...]

Esta é uma daquelas histórias de quem tem muita estrada e um João que rodou o mundo em seus contos.​

Vocês pensam que conhecem todas as histórias do João? Pois eu achava o mesmo, até o dia em que o peguei de surpresa no cinema, assistindo ao filme sobre Bob Marley.

Não, o João nunca foi cantor de reggae (pelo menos que eu saiba; com ele, nunca se sabe!). Mas eis que, no meio do filme, surge um nome: Haile Selassie.

​Conta ele que seu pai escreveu o nome em um pedaço de papel e foi ao cartório registrar o nascimento. Só que o vento levou o escrito para longe e, como o pai não sabia recitar o nome de cor, olhou para um canto e viu um santo. Era São João. Acabou deixando “João” mesmo.​

Foi aí que o mistério começou! ​Sim, aquele nome imponente, cheio de história, era, segundo o nosso amigo João, o seu nome de batismo pretendido! Imagine só: o João, com toda a sua simplicidade, com nome de imperador!

​Na época em que ele me contou essa história, confesso que demos muitas risadas. Afinal, um nome assim não se vê todo dia, e a ideia de um “João Imperador” era, no mínimo, inusitada. Mas de onde o pai do João tirou esse nome tão peculiar? Vamos desvendar o mistério!

​Haile Selassie (ou Hailé Selassié), batizado como Tafari Makonnen e posteriormente conhecido como Ras Tafari, foi nada menos que regente da Etiópia de 1916 a 1930 e imperador de 1930 a 1974. Possuía títulos como Grã-Cruz das ordens GCTE e GCBTO, herdando uma dinastia que remonta ao século XIII. (Sim, o Google e a Wikipédia confirmam toda essa grandiosidade!)​

Mas a história não para por aí. Haile Selassie é uma figura crucial na história da Etiópia e da África.

Para os adeptos do movimento rastafári (sim, o movimento do Bob Marley!), ele é considerado um símbolo religioso, o próprio Deus encarnado!

Em 2005, o movimento contava com cerca de 600 a 800 mil seguidores em todo o mundo.

​E foi assim que, por um capricho do destino (ou apenas do pai do João que, tadinho, perdeu o papel!), o nosso amigo “quase” se tornou um ícone rastafári. Imaginem só se o papel não tivesse se perdido… O “Haile João” poderia estar por aí, espalhando mensagens de paz e amor, e talvez até com alguns dreadlocks no cabelo!

​Bom, de volta à realidade: o João continua sendo o nosso João, com seu jeito simples e suas histórias engraçadas. Mas confesso que, de vez em quando, me pego imaginando como seria se ele realmente tivesse sido batizado como Haile Selassie.

​Acho que o João Vaz pode, de fato, ser o espírito de uma dinastia que atravessa o tempo… E quem sabe ele já não esteja aprontando suas travessuras em outra dimensão, com o seu nome imperial!​

Aldeir Ferraz é Político e Escritor

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