Às vezes, uma foto diz mais do que um discurso inteiro – especialmente quando o mundo resolve dar vazão ao passado.
Logo depois de sancionar a ampliação dos benefícios do Regime Especial de Tributação para a Indústria Química, Luiz Inácio Lula da Silva se deparou com uma imagem que parece ter atravessado décadas para bater à porta do presente.
Era uma peça da campanha do Programa Nacional do Álcool, lá dos anos 80, com um recado simples e direto: “o álcool do seu carro não passa por aqui”. No fundo, o Estreito de Ormuz, hoje um dos pontos mais sensíveis do planeta, responsável por cerca de 20% do escoamento mundial de petróleo e, neste momento, bloqueado pelo Irã, em meio à guerra com Estados Unidos e Israel.
Lula olhou, comentou que era “interessante, muito atual” e enalteceu a visão de décadas passadas, quando o Proálcool foi criado. A imagem foi mostrada por Sergio Leite, vice-presidente da Força Sindical, num daqueles momentos em que a história resolve lembrar que a independência energética não é só pauta de governo – é questão de contexto.
No fim, a ironia é inevitável: enquanto o mundo trava por petróleo, o Brasil revisita o álcool. E descobre que, às vezes, o passado estava só adiantado.



