
Janeiro de 2026 chegou. De novo. E com ele, aquele velho impulso de organizar a vida, a casa, e até a cabeceira da cama. Aparecem mil listas: “10 livros para ser mais produtivo em 2026”, “5 biografias de gente bem-sucedida”.
Cansou, né?
Eu estou com uma vontade diferente este ano. Uma vontade quase rebelde: a de ler o que não tem propósito nenhum. O livro que não ensina nada, não resume nada, não vai me fazer “crescer”. Só porque sim.
A gente vive na era do resumo. Do “me explica em 30 segundos”. Até os livros viraram item de checklist. A gente perdeu o prazer de se perder dentro de um livro.
Minha proposta para 2026 é simples: crie uma prateleira (ou um cantinho no app) só para o inútil.
Coloque lá o que não se encaixa. Um guia de fungos. A história do perfume. A poesia de um autor que ninguém conhece. Aquele romance gigante e enrolado que você sempre teve medo de começar.
Leia sem a pressão de terminar. Leia sem a obrigação de tirar uma lição de vida. Leia só pelo barato de seguir uma frase bonita, uma ideia esquisita, uma história que não leva a lugar nenhum – só mais fundo na sua própria imaginação.
Isso tem tudo a ver com a gente. O Vale é cheio dessas histórias interessantes. É a conversa no bar que não tem ponto. É a lenda local que ninguém sabe se é verdade. É a fachada de um prédio antigo no centro que a gente passa todo dia e nunca para pra olhar de verdade.
Então, minha única meta literária para 2026 é essa: ser menos útil. Deixar o algoritmo de lado e seguir a intuição. O livro errado, na hora certa.
E a sua? Topa o desafio? A proposta é concreta: ainda esta semana, entre numa livraria, se afaste da mesa de best-sellers e pegue o primeiro livro que chamar sua atenção pela capa, pelo título absurdo, pelo sobrenome desconhecido do autor. Não pense muito. Só compre. E comece, sem culpa.
Pode ser aquele volume esquecido na sua estante, só esperando você se dar o direito de se perder nele. A aventura de 2026 não está na lista de desejos otimizados. Está no desvio.
Boas leituras – especialmente as que não servem pra nada.
*Artigo originalmente publicado no Diário de Taubaté e Região
Danielle Balieiro Amorim é Jornalista, Escritora e Ghost-Writer. Na Accenture, desenvolveu expertise em Comunicação, Gestão de Pessoas, PMO, Treinamento e Desenvolvimento, entre outras áreas. Escreve duas colunas semanais para o jornal Diário de Taubaté e para revistas brasileiras nos Estados Unidos. Tradutora dos idiomas Inglês, Português e Espanhol. Autora do livro infantil “As Aventuras de Ximin em: Floresta Mágica”. Podcast para crianças no Youtube: “Contos para Sorrir”.



