
O Brasil atinge um dos seus piores níveis de institucionalidade em nossa história.
Hoje, no Brasil, o Executivo não funciona. A renda do brasileiro cai, com a inflação de bens de consumo básico acima do valor da reposição salarial, e 82% das famílias brasileiras encontram-se em estado de endividamento e Inadimplência. O governo não apresenta uma política de desenvolvimento, com programas sociais que visam às eleições, sem preocupações dom o equilíbrio fiscal, naquilo que Paulo Paiva originalmente denominou de “crise fiscal contratada para 2027”.
O Legislativo também não funciona, imbuído em suas Emendas Parlamentares na auto reprodução da oligarquia do grupo em torno de seus interesses pessoais.
Agora, cai o último símbolo da pátria, a mais perene lisura do STF, em escândalos que não se coadunam com a balança da Justiça, o último baluarte da esperança. Estabelece-se umas das maiores crise da história do STF, e também crise institucional entre poderes.
Nos últimos 15 anos o Brasil patina, com o PIB estanque em US$ 2,2 trilhões em 2010 para US$ 2,3 trilhões em 2025; enquanto mundo cresce de US$ 86 trilhões para US$ 118 trilhões neste período, Estados Unidos de US$ 15 trilhões para US$ 31 trilhões, União Europeia de US$ 15 trilhões para US$ 21 trilhões, China de US$ 6 trilhões para US$ 20 trilhões. Em número de assassinatos ano por 100 mil habitantes, ostentamos o índice de 20,6, para média mundial de 5,2.
Não existem mais líderes no Brasil com há décadas atrás. Nos idos das décadas de 50 a 80, os então “Homens Públicos”, assim chamados, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Tancredo Neves, André Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Hélio Garcia, Mario Covas eram pessoas que quando falavam expressavam grupos políticos e econômicos, arquitetos do fazer. As ‘elites criativas” de Toynbee, que fundam os marcos das civilizações. Hoje, os políticos representam o acaso, como números impessoais sorteados na população. Quebra-se o vínculo entre “representantes” e “representados”. Interlocutores não há mais!
Estamos à deriva.
Nas Eleições Presidenciais, os candidatos Lula e Flavio Bolsonaro passam e se equivaler, com intenções de voto e rejeições que dificultam as previsões, na “polarização” indébita da sociedade. A 3ª Via que embrionariamente surge com Augusto Cury não é a de um projeto alternativo para o país, mas de um conteúdo literário de “auto ajuda”, sem demérito para a obra e e autor. Para onde vão esses votos no 2º Turno não se pode afirmar, como no caso de Simone Tebet com 8% em 2022, que ao dar o seu apoio à Lula, viu somente 2% de seus votos irem para Lula, 6% para Jair Bolsonaro, na direção oposta. Ninguém é dono de ninguém, somos indivíduos disformes em massas sem grupos nem lideranças.
A banalidade se instala, com tempos tenebrosos pela frente.
Vide Cartago!
A nossa Padroeira chora.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago



