
“VULNERANT OMNES, ULTIMA NECAT”
Os olhos e ouvidos do mundo se esbugalham ante os fatos ocorridos em Jalisco, Capital de Guadalajara, no México. Como esse irmão da América do Norte pode ter chegado a tão tormentosa situação? Por que a população ficou à mercê de uma poderosa organização criminosa de poder transnacional? Onde o Estado mexicano falhou em seu sistema de segurança pública? As respostas a essas perguntas somente os homens do poder estatal originários dos Astecas, Maias, dos Zapotecas etc. poderão nos dar.
Para que, então, trazer notícias sobre os acontecimentos ocorridos no domingo (22/02/2026) aos brasileiros, particularmente, os mineiros se não for a fim de debatê-los e compreendê-los? Porque podemos extrair lições desses episódios danosos com o objetivo de não os permitir ocorram aqui no Brasil, especialmente em nossa Minas Gerais, estado muito respeitado pelo bom funcionamento de suas polícias preventiva e repressiva.
A segurança pública, como sistema de defesa social, jamais poderá estar a reboque do crime organizado que se prolifera pelo nosso vasto território, substituindo o Estado desidioso por meio da violência física e psicológica, coatora das populações desassistidas dos direitos básicos que são garantidos pelo Constituição Federal.
O Congresso Nacional entregou o PL Antifacção que irá repercutir na área da segurança pública, por isso deve ir, urgentemente, à sanção presidencial para que possa instrumentalizar as forças de segurança no combate aos grupos e cartéis de criminosos disseminados em todo território nacional, bem como permitir maior efetividade da persecução penal pelo Ministério Público Federal e estadual a fim de levar ao Poder Judiciário as denúncias formais legalmente amparadas em provas materiais coletadas e levadas a um robusto inquérito policial; daí se extrairá a certeza da condenação ou da absolvição do faccionado.
O povo vai cobrar por essa fatura nas eleições de outubro, pois o tema Segurança Pública é hoje imperativo e indispensável a quem pretender ser representante da vontade popular. Não há tempo de espera, o México sofre por causa do despreparo de agentes no combate ao crime organizado, enquanto o Brasil precisa imediatamente estar preparado para frente ao crescimento do crime organizado que se alastrou por todos os extremos do país, do Monte Caburaí (RR) ao Arroio-Chuí (RS) e da Ponta do Seixas (PB) ao Nascente do rio Moa (AC).
O Brasil não pode assemelhar-se o México presente, pois “o brasileiro não é triste” e não somos “uma nação de Macunaímas”, portanto, precisamos exigir dos poderes constituídos a aplicação dessa tão bem esperançoso PL Antifacção a fim de realmente avalizarmos a necessária Segurança Pública Nacional, porque “todas ferem, a última mata”.
Delegado Édson Moreira é Especialista em Segurança Pública e Criminalidade/UFMG. Foi Delegado de Política Chefe do DHPP/MG e do Departamento Anti-Sequestro de Minas Gerais, e Deputado Federal



