A novela do arroz ganhou mais um capítulo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A Companhia Nacional de Abastecimento está em final de tratativas para doar cerca de 30 mil toneladas do grão a Cuba.
Mas até em uma oferta do gênero, o improviso aparece. O debate interno parece coisa de manual de logística básica: mandar o arroz já descascado ou no estado bruto? A dúvida não é gastronômica, é estrutural. A ilha caribenha, ao que parece, não tem capacidade de beneficiar o grão.
Enquanto isso, críticos lembram um detalhe nada trivial: com as enchentes recentes deixando milhares de brasileiros em dificuldades, faria mais sentido destinar o arroz a famílias afetadas no próprio país, em vez de despachá-lo gratuitamente para algum porto cubano.
Convenhamos: arroz virou karma neste governo. Em 2024, o Planalto já tinha se enrolado feio ao editar uma medida provisória autorizando a importação de até um milhão de tonelada do produto, sob o argumento de evitar a disparada de preços, após as cheias no Rio Grande do Sul. A reação foi imediata. Produtores afirmaram que não havia risco de desabastecimento – a safra nacional estava na casa de 6,5 milhões de toneladas, praticamente repetindo a do ano anterior. A disputa acabou no TCU e na Justiça Federal da 4ª Região.
No fim das contas, como acontece em Brasília quando o assunto começa a incomodar demais, o caso foi varrido para debaixo do tapete. Agora, pelo visto, o arroz voltou ao cardápio político.





