
“Salus populi suprema lex esto!”
(Cícero – “De Legibus)
A tradicional elegância do bairro Lourdes, em Belo Horizonte, Minas Gerais, tem cedido espaço a um sentimento amargo e constante: a vulnerabilidade da segurança de seus moradores.
Tristeza, pois o que antes era rotina de tranquilidade, transformou-se em um comportamento de alerta perene, que traz em si permanentemente o estado de angústia e ansiedade.
Hoje, caminhar pelas ruas arborizadas do bairro exige um olhar periférico atento e uma desconfiança, de tudo e de todos, inevitável. O medo de se tornar a próxima vítima habita o inconsciente dos residentes e transeuntes pelo temor do furto ou do roubo.
Será paranoia? Não é, porque decorre de um reflexo direto da realidade vivida por seus habitantes. Isso é real, os números não mentem, apenas confirmam os acontecimentos dessa infeliz realidade.
Pior, a sensação de insegurança dos moradores encontra respaldo em dados oficiais. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e repercutido pelo jornal “O Tempo”, o cenário é alarmante:
Aumento Local: em apenas dois meses, os furtos no bairro saltaram 14%;
Radiografia da Capital: Belo Horizonte registra uma média de 185 ocorrências diárias;
Frequência assustadora: são, em média, oito crimes contra o patrimônio por hora na capital mineira.
Desastroso, há um abismo entre o discurso e a prática na prestação da segurança pública, pois enquanto o povo mineiro sente na pele a violência do cotidiano — muitas vezes presenciando crimes, não mais à noite, mas à luz do dia — o discurso oficial parece caminhar em sentido oposto.
Em entrevista recente, o atual Secretário de Segurança Pública minimizou os dados, classificando as ocorrências como “casos pontuais”. Contudo, para quem vive no Lourdes ou transita pelo centro da capital, a “pontualidade” citada pelo governo já se tornou regra. A discrepância entre a narrativa estatal e os boletins de ocorrência revela um desafio hercúleo para a segurança pública de Minas Gerais: admitir a crise é o primeiro passo para solucioná-la, porém insuficiente. A população precisa de segurança para ter paz, viver tranquilamente e ter certeza de que chegará a sua casa sem temores. A Segurança Pública não é um lema tão somente, mas um conjunto de ações planejadas para garantir a lei e a segurança da sociedade, portanto é fundamental para a vida de todos nós.
O mundo romano, muitos anos atrás, tinha arraigado em suas premissas, desde o período clássico (Pax Romana), que o bem-estar seria a suprema lei.
Por que, passados mais de dois mil anos, não se oferece isso ao povo mineiro, quiçá, ao brasileiro? Segurança Pública é dever do Estado!
Delegado Édson Moreira é Especialista em Segurança Pública e Criminalidade/UFMG. Foi Delegado de Política Chefe do DHPP/MG e do Departamento Anti-Sequestro de Minas Gerais, e Deputado Federal




