Trump quer tomar a Groenlândia por três razões: a primeira, petróleo; a segunda, terras raras; a terceira, posição geopolítica. Nessa ordem.
Trump não se importa com a OTAN porque a Europa, antiga aliada estratégica na política pós Segunda Guerra Mundial para a contraposição à União Soviética e domínio do Oriente, passou a ser um bloco econômica e politicamente declinante, dependente dos recursos financeiros e do poderio militar dos Estados Unidos para a contenção da Rússia, e sem importância nas relações com o Oriente, hoje dominado pela China, com o seu crescimento econômico e poderio militar.
Os Estados Unidos consomem 20% do petróleo processado do mundo, com somente 2% das reservas mundiais no território do país. As reservas de petróleo da Europa são também pouco relevantes, se restringindo ao Mar do Norte, cerca de 0,6% das reservas mundiais. Os países europeus perderam suas colônias entre a segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, hoje como um continente de indústria de transformação, em declínio na qualidade e produtividade comparado aos Estados Unidos e à China. Tanto os Estados Unidos como a Europa, são desprovidos de reservas significativas de terras raras.
Trump sabe que a economia americana é hoje menor na economia do mundo, com a diminuição relativa de seu PIB de 40% do PIB mundial em 1960 para 26% atuais. Trump tem pressa em tentar obter aquilo considera como relevante para a estabilidade e futuro dos Estados Unidos.
Se a OTAN desmanchar, isso não parece ser um grande problema para Trump. A OTAN poderia ser repactuada dentro da mesma sigla, através de nova sigla, ou em pactos informais, dado a dependência econômica e militar da Europa junto hoje aos Estados Unidos.
Trump aprendeu com o seu advogado Roy Cohn que as leis têm brechas, por serem escritas e consuetudinárias, e assim agiu em sua vida empresarial. Trump se move acima da lei ou contornando a lei, tanto interna quanto externamente, dentro daquilo que lhe parece plausível e obtenível. As leis expressam pactos, que estão se esfacelando. Neste sentido, as leis não são consideradas ipse litteris por Trump em suas ações.
Não que esta conta sairá de graça para os Estados Unidos. Como todo fato que ocorre pela primeira vez no mundo, temos que aguardar a sequência dos acontecimentos. Se ocorrer de Trump ser unilateralmente contido, será exclusivamente devido a sua possível percepção da opinião dos líderes da Europa e mundial, caso ele os leve em consideração. Ou, então, a Europa. juntamente com a Dinamarca, podem vir a sugerir um acordo a Trump onde eles entregam, mas “sem entregar”, o que antigamente no Brasil se chamava de “acordo para Inglês ver”. Acordos de concessão e gerência, por 100 anos, por exemplo.
Mas que Trump vai ocupar a Groenlândia, isto deve ocorrer.
A ver.



