COLUNA RONALDO HERDY

Gigantes disputam o coração logístico da Argentina

A brasileira DTA Engenharia resolveu atravessar o rio – literalmente – e entrou na disputa pela dragagem e sinalização da hidrovia dos rios Paraná e Paraguai, no trecho argentino. Não é qualquer córrego: trata-se da principal artéria do comércio exterior do país vizinho. Por ali escorre soja, milho, dólares e, claro, muita política.

A briga é contra duas gigantes globais de limpeza e desobstrução marítima, a belga Jan de Nul NV e a também belga DEME – Dredging Environmental Engineering NV, nomes respeitados no setor.

A Agência Nacional de Portos e Navegação da Argentina examina neste momento os papéis, as garantias, os balanços e a capacidade técnica, operacional e financeira de cada empresa. Em abril, abrem-se os envelopes com os preços. É quando a retórica vira número – e a diplomacia, planilha.

Se levar, a DTA não conquistará apenas um contrato. Ganha espaço estratégico numa das rotas logísticas mais importantes da América do Sul. Se perder, terá ao menos demonstrado que empresa brasileira não nasceu para ficar só olhando a correnteza passar. Ou seja, tudo se resume a uma questão: quem vai dragar o rio – e quem vai ficar a ver navios.

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