Fim da linha para Cristiano Ronaldo? (por Erasmo Angelo)

Na história do esporte português, Cristiano Ronaldo, o CR7, é o símbolo insuperável do atleta que durante mais de 20 anos promoveu e elevou o nome do futebol de Portugal [...]

Na história do esporte português, Cristiano Ronaldo, o CR7, é o símbolo insuperável do atleta que durante mais de 20 anos promoveu e elevou o nome do futebol de Portugal e colocou o país em destaque no primeiro mundo do esporte mais popular e espetacular do planeta.

Ele já faz parte daquela galeria dos chamados monstros do futebol, não por equiparação de qualidades ou pelo tempo, mas pela arte que desfilaram em campo na condução do chamado jogo de bola, esbanjando talento irrepreensível. Uma galeria que tem um rei, Pelé, e um séquito no qual desfilam, ou desfilaram, astros fantásticos como Maradona, Ronaldo Fenômeno, Messi, Cruyff, Zidane. Best e vai por aí. Cristiano Ronaldo faz parte desse seleto grupo de astros da bola.

Considerado atleta de vida pessoal exemplar, uma rotina familiar consolidada e hábitos de extrema disciplina, Cristiano Ronaldo, 41 anos de idade, já fez 234 jogos oficiais pela seleção de Portugal e marcou 146 gols, o que faz dele o maior goleador da história em partidas de seleções nacionais. Joga atualmente no Al-Nassr, da Arábia Saudita. Faltam 21 gols para chegar aos 1000 ao longo da carreira. A mídia portuguesa revela que o atleta tem um patrimônio líquido de USD 1,2 bilhão.

Detalhe curioso na carreira de Cristiano é que o mundo passou a chamá-lo apenas por CR7, que é a junção do nome do atacante com o número da camisa que passou a usar desde 2003, ao ser contratado pelo Manchester United (Inglaterra). Foi um pedido do treinador Alex Ferguson, que lhe deu a camisa 7 usada pelos ídolos George Best, David Beckham e Eric Cantona.

Toda essa história fabulosa do ídolo CR7 entrou há dias em polêmico conflito com o técnico Jorge Jesus, 72 anos, novo treinador da seleção portuguesa. Um atrito que divide opiniões em terras lusitanas. Jorge é o mesmo treinador que revolucionou o Flamengo (junho de 2019 a julho de 2020) e estava no futebol árabe, onde dispensou Neymar, com quem teve severos atritos. Cristiano é contestado, tecnicamente, em razão da idade e da produção fraca em campo. Chegou ao fim da linha?

Os fastos são conhecidos. Jorge Jesus, ou JJ, como o chamam, assumiu a seleção portuguesa e colocou CR7 na reserva. Portugal disputa a Liga da Europa/UEFA e Cristiano só jogou metade do jogo de estreia. contra Gales, em Lisboa (Portugal 1 a 0), na recente Data Fifa. Os atritos começaram na vitória seguinte, contra a Noruega, de Haaland (2 a 1) em Oslo. Na véspera da partida seguinte, em Copenhague, contra a Dinamarca, Cristiano Ronaldo abandonou o hotel da seleção após discussões com o treinador e voltou para Portugal após ouvir Jorge Jesus dizer que “nunca nenhum jogador vai mudar minhas ideias”. No jogo, Portugal fez 4 a 2 na Dinamarca. Em seguida, na semana passada, na cidade do Porto, outra vitória, 2 a 1 sobre a Noruega na partida de volta.

Com quatro vitórias seguidas e classificação antecipada para as quartas de final, o técnico Jorge Jesus começou a “virar o jogo” no atrito com CR7. O jornal Marca, da Espanha, um dos mais importantes da mídia esportiva da Europa, em análise sobre a reformulada equipe portuguesa de JJ e o caso Cristiano Ronaldo, analisou que o técnico ficou como “vencedor claro e incontestável do atrito com CR7, que abandonou a seleção”. Comentou ainda que, com Jorge Jesus, a seleção de Portugal “ficou desobrigada da estar servindo sempre a Cristiano Ronaldo”.

Sobre o trabalho de JJ, Marca comentou ainda que a grande vitória do treinador foi a transformação tática e técnica da seleção em relação ao surpreendente fracasso no Mundial: “Aquela seleção portuguesa da Copa ficou para trás e a ‘era Jorge Jesus’ foi iniciada com uma bomba (caso CR7), mas a todo vapor”. Nas últimas horas, o que sobrou foi uma entrevista de Cristiano à CNN/Lisboa, na qual ele disse que não jogaria mais pela seleção com Jorge Jesus no comando. É esperar para ver.

Os fatos aqui relembrados guardam certa semelhança com um episódio de grande repercussão envolvendo o mesmo técnico, Jorge Jesus, e outro jogador famoso, Neymar, quando ambos estavam no Al-Hilal/Arábia Saudita (1923/1924). Após vários atritos com o jogador, JJ explodiu: “Nome ou passado de um atleta não influenciam minhas decisões em campo”. E para lembrar a Neymar que o seu ciclo de alto nível no futebol havia acabado, Jorge Jesus sentenciou, falando numa mistura de português com inglês: “tu, finish” (você, acabou).

Ancelotti, comandando a seleção brasileira, não quis acreditar nisso e deu no que deu, enquanto Jorge Jesus talvez esteja revivendo em Portugal (com CR7), o que lhe aconteceu na Arábia Saudita (com Neymar), em episódio no qual o tempo cuidou de lhe dar razão.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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