COLUNA RONALDO HERDY

Estado caça fraudador e acerta o pescador

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador vai gastar boa parte da reunião do próximo dia 25, em Brasília, discutindo um problema criado pelo próprio Estado – e empurrado, como sempre, para quem tem menos voz.

A gestão do seguro-defeso do pescador artesanal, que saiu do INSS em novembro e foi parar no Ministério do Trabalho e Emprego, veio junto com um pente-fino correto: impedir que espertalhões urbanos se passem por pescadores para morder o benefício. O problema é o método. A triagem em curso virou uma máquina de produzir atraso, bloqueio indevido e exigências quase impraticáveis para quem vive nos rincões, onde o sinal de internet vai e volta com a maré – nesses lugares, o cadastro biométrico é artigo de luxo.

O resultado é a velha inversão brasileira: o fraudador profissional encontra caminho; o pescador de verdade fica na fila. A choradeira cresce não porque acabou a mamata, mas porque o seguro não está chegando a todos que dependem dele para comer, no período em que a atividade é suspensa para a reprodução dos peixes.

“Somos totalmente a favor do combate às fraudes, mas preocupa que bandidos que buscam o seguro-defeso usufruam de uma estrutura não acessível aos pescadores”, resume Sergio Leite, que espera boas novas do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na reunião da última semana deste mês.

Compartilhe esse artigo: