
Como, em pleno ano de 1975, nós, moradores da Pensão Mineira não tínhamos vaso sanitário, chuveiro elétrico, mas éramos iluminados por lamparinas a querosene e os nossos quartos não tinham fechaduras, mas tramelas, a dona da pensão, DONA ANA foi por mim apelidada de ANACRÔNICA, posto que uma senhora octogenária e portadora de uma beleza equivalente à da Rainha-mãe Elisabeth da Inglaterra.
Àquela altura, Dona Anacrônica era uma das últimas remanescentes de uma aristocracia que floresceu no Bairro Floresta, onde a sua pensão se localizava, lindeira à Praça da Estação.
Lindeira, que palavra antiga, mas consentânea com esta anacrônica crônica!
E nos primórdios da Nova Capital dos Mineiros, aquela decadente pensão em que morávamos era um dos melhores hotéis da cidade, pois inclusive hospedou nobres que vieram na comitiva do Rei Alberto da Bélgica e que inaugurou o belíssimo prédio da Estação Ferroviária (hoje Museu de Artes e Ofícios, e Dona Anacrônica nos mostrava orgulhosa a foto dela muito jovem e trigueira ao lado da família real.
Mas por aquele tempo, os belgas dizimam o Congo!
Carlos Mota Coelho é Escritor. Foi Deputado Federal e Procurador Federal. Autor de vários livros.



