COLUNA RONALDO HERDY

Diplomacia de duas mãos

Em meio aos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã e no Líbano, o Brasil divulgou nota defendendo que a negociação é o único caminho viável para a paz. Até aí, aplausos. Diplomacia, afinal, existe para isso.

O problema aparece quando se olha o resto do roteiro. O país integra o chamado Grupo de Haia, formado no ano passado com a proposta de pressionar pelo cumprimento dos mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Nada impede um país de defender o diálogo e, ao mesmo tempo, apoiar instrumentos jurídicos internacionais. Mas convenhamos: quando a diplomacia fala em negociação enquanto participa de grupo criado para apertar mais o cerco contra um dos lados da mesa, a mensagem fica, no mínimo, confusa.

Procurado pelo site CAPABRASIL para esclarecer a aparente contradição, o Itamaraty preferiu não se manifestar.

Em diplomacia, às vezes, o silêncio também fala. E, nesse caso, não parece muito claro o que está dizendo.

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