
Flávio Bolsonaro é um cisne negro? Quem assim pensar, cometerá um grande equívoco nesta eleição. Consideramos o filho do ex-presidente da República um competidor competitivo que poderá vencer a eleição presidencial. E não estamos dizendo isto neste instante, em razão das últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas. Desde meados do ano passado, antecipamos a força de Flávio Bolsonaro através das pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência. E mais: sempre deixamos claro, que entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, o melhor para manter a força eleitoral do bolsonarismo, era o filho do ex-mandatário da República.
Acompanhando todos os debates atuais, vemos o quantitativo do não surpreendente crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, o que significa, claramente, que a única solução para uma vitória da direita em 2026 não é Tarcísio de Freitas. Por que o filho do ex-presidente da República é páreo para o presidente Lula? Em uma parte do roteiro das pesquisas qualitativas realizadas pela Cenário Inteligência, através da técnica Entrevistas em profundidade, pedimos aos entrevistados que deem uma nota e relatem seu sentimento perante a vários nomes mencionados. Desde meados do ano passado, inserimos o nome de Flávio Bolsonaro no quadro de sentimentos/afeto.
Nos baseando nos resultados dos sentimentos dos eleitores e considerando mais de 30 pesquisas qualitativas em cidades diversas e estados, identificamos que os sentimentos para com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro são: 1) Neutralidade (“Já ouvi falar, mas não tenho opinião”); 2) Curiosidade (“Preciso pesquisar mais sobre ele”; 3) Repulsa (“Deve ser igual ao pai, não voto”); e 4) Apoio (“Voto por conta do pai”). Ademais, o sentimento mais identificado é o da neutralidade. Os eleitores ainda não sabem quem é Flávio Bolsonaro e não conectam necessariamente sua imagem à do pai. Muitos comentam que talvez ele seja mais moderado.
Flávio Bolsonaro mantém o sobrenome, mas não necessariamente manterá a postura do pai. Quanto mais ele se moderalizar, mais segmentos ele pode alcançar – inclusive os que votariam em Lula. É fato, também com as pesquisas realizadas, que os eleitores estão cansados da dinâmica polarizada do país, mas, mesmo assim, ainda escolhem entre o Lula e o sobrenome Bolsonaro. Vislumbramos, a depender da estratégia adotada, que Flávio, por não ser Jair Bolsonaro, pode ser identificado como uma alternativa aos que não querem votar no Lula, bem como à uma direita não radicalizada. Isto presente em um ambiente, conforme as pesquisas qualitativas revelam, em que alto porcentual de eleitores avaliam que o Brasil piorou ou segue na mesma.
O grande desafio de Flávio Bolsonaro é a estratégia que será apresentada na campanha. Ele radicalizará e será o espelho do pai? Neste cenário, o presidente Lula é favorito a vencer a eleição. E se Flávio moderar o discurso, fugir do radicalismo, falar para os que não são Lula ou (Jair) Bolsonaro? Neste caso, o atual presidente segue favorito, mas diante de um adversário forte. Flávio Bolsonaro parece não estar o caminho de ser um cisne negro que nem o pai na eleição de 2018. Desde já, ele demonstra que é competitivo e que a curiosidade de o conhecer do eleitor podem ajudá-lo a – mesmo com o sobrenome Bolsonaro – ser um nome fora da disputa ideológica e não radicalizada.
Ressaltamos, contudo, que o filho do ex-presidente tem enormes desafios ao enfrentar o presidente Lula, dentre os quais, explicar os erros do governo Jair Bolsonaro na pandemia e a aliança entre Eduardo Bolsonaro e Donald Trump que possibilitou o aumento das tarifas comerciais. Vislumbramos uma eleição competitiva, com favoritismo do presidente Lula, mas sem perder de vista aquilo que muitos não previam: Flávio Bolsonaro é competitivo.
Adriano Oliveira é Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa & Estratégia. Artigo com a colaboração de Maria Eduarda Oliveira, Cientista Política e Analista de Pesquisa da Cenário Inteligência.



