
Faz parte da consciência humana que construir é ação de trabalho, persistência, resistência, força de vontade e dedicação à causa. A própria construção do ser requer sacrifícios, escolhas, renuncias, dor e, muitas vezes, lagrimas. No campo das ideias, a história nos ensina, o homem tem se dedicado a construir e tomar lados ideológicos que o protejam de ameaças, assegurem sua liberdade, possa trabalhar e evoluir, tornem sua vida melhor, vivam em um estado justo, democrático e socialmente equilibrado. É uma construção difícil, exige crença e fé na própria existência, na busca de um mundo onde todos sejam tratados sem preconceitos, fome, guerras e fronteiras que os escravizem ou sacrifiquem.
Albert Camus, o pensador franco argelino, dizia que o homem deve “viver com lucidez, sentir a própria existência, ter consciência da própria liberdade e da própria revolta, possuir uma “alma continuadamente consciente”. Foi membro do Partido Comunista Francês durante breve período, mas rompeu com a organização pelo apoio dado ao stalinismo e a luta de classes como base de ação política. Muito atual nosso filósofo e literato Camus, autor de “O Estrangeiro”, especialmente quando em um certo país dos trópicos americanos, na chamada Terra de Santa Cruz, os ideólogos da esquerda, detentores e ocupantes do passageiro poder, pregam a luta entre “pobres e ricos”. É a volúpia de destruir valores que foram incapazes de construir, praticam a estratégia de guerrilha, dividir para conquistar, pregam e disseminam ações de negros contra brancos, heteros contra homos, empregados contra patrões, católicos contra protestantes e assim por diante. É um claro trabalho de destruição e clara declaração de guerra entre classes, como base de ação política. Mas, por que isto acontece?
Mais uma vez é a incapacidade de construir que os leva ao caminho do destruir, à fácil e equivocada ideologia provocada pela inveja, mágoas, ressentimentos aos valores e equilíbrio conquistado pelos brasileiros ao longo de seus poucos séculos de nação independente. É a apologia ao ócio improdutivo, a negação aos valores morais e do conhecimento como o diferencial na competitividade da vida. Nossa força de trabalho, os empreendedores, os que suaram a camisa, renunciaram a muitos prazeres em favor da luta e conquistas, criaram e acreditaram primeiro em si mesmos, depois no mercado de consumo e capital, construíram posses, contribuem com os maiores impostos entre os países da terra, são agora apontados como os responsáveis pelo custo Brasil. A incapacidade de gestão do país, nos últimos vinte e tantos anos tem nos levado ao brejo, onde a vaca, magérrima, não consegue ficar de pé e não se sustenta mais. Ainda assim tiram-lhe o leite, que não existe. Qualquer manual de administração ensina que só podemos gastar o que antes foi ganho. Jamais a despesa pode ser maior que a receita, sob pena da falência de quem assim age. Mas, não. O populismo exige que benefícios sejam dados de forma irresponsável e crie a cultura de que o trabalho é desnecessário: o estado a tudo supre. É a construção da irresponsabilidade cidadã, da descrença nos estudos e no trabalho que enobrece. A sobrevivência do pobre é uma necessidade política, sem ele não existirá poder para os que só conhecem a forma de destruir, contestar valores, praticar o engodo e a mentira.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



