O mercado financeiro tem memória curta, mas planilha longa. Em meio ao plano de recuperação desenhado pela nova diretoria, depois da crise que explodiu com a tentativa de compra do Banco Master, o Banco Regional de Brasília agora enfrenta uma pergunta simples – e indigesta: vai conseguir bancar o que prometeu?
O BRB jura que sim. E não é uma promessa pequena. Para assumir a gestão dos depósitos judiciais em cinco tribunais – Maranhão, Distrito Federal, Alagoas, Bahia e Paraíba – o banco abriu o cofre, No caso do Tribunal de Justiça do MA, onde o Banco do Brasil pagava cerca de R$ 3 milhões por mês, o BRB entrou oferecendo R$ 13 milhões. Quase quatro vezes mais. Milagre financeiro ou super aposta? Eis a questão. Já no Tribunal de Justiça da Bahia, a proposta (vencedora) foi da ordem de 30% superior à da concorrência. Oferta generosa costuma gerar aplauso imediato – e preocupação tardia.
Nos bastidores dessas Cortes, entre muitos, o temor é pragmático: e se o Banco de Brasília não conseguir honrar os compromissos? Depósito judicial não é dinheiro decorativo. É verba sensível, que depende de liquidez para ser liberada quando a Justiça manda. O BRB aposta que consegue atravessar a turbulência e manter os contratos de pé. O problema é que, no mercado, confiança não se imprime em nota oficial. E promessa cara demais costuma cobrar juros



