Com apoio do Legislativo, o governo federal abriu o cofre no mês passado, para a indústria química e petroquímica. Generosidade de pai orgulhoso: somente a renúncia fiscal saltou de R$ 1,1 bilhão para R$ 3,1 bilhões.
Mal deu tempo de secar a tinta da canetada e o setor trocou o tom manso por outro bem mais estridente: reajuste médio de 30% nos produtos e aviso a clientela de que os preços, agora, podem mudar todos os dias. A explicação oficial vem embrulhada na geopolítica – a guerra no Oriente Médio.
Convém lembrar que, além da ampliação da renúncia, o pacote de bondades trouxe um regime tributário de transição camarada, com alíquotas diferenciadas de PIS-Pasep e COFINS.
O efeito colateral apareceu rápido e onde sempre dá as caras: na indústria de transformação, que é quem de fato emprega gente aos montes.
Ao site CAPABRASIL, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Químico, Antonio Silvan, diz já ter ouvido de empresários o que costuma vir depois dessas tabelas explosivas: férias coletivas – a partir de abril – e demissões no horizonte.
Se isso ocorrer, ficará a pergunta que Brasília costuma evitar: quando o governo ajuda um setor, ajuda quem exatamente – a indústria ou apenas o preço dela?



