
A grande média nacional, jornais, rádios, TVs e revistas, recentemente ocuparam espaços para nos informar do que estamos cansados de saber – o analfabetismo voltou e tem crescido no Brasil. Em 2025 voltamos aos números de 2009, numa constatação de que a política social praticada pelo Governo Federal é errada, aumentando a pobreza, desestimulando a formação dos cidadãos e seu crescimento através da educação. Aliás, a única forma de dar oportunidades aos menos favorecidos, aos sem saúde, sem comida, sem transporte e sem educação, seria através do conhecimento, frequentando os bancos escolares. O dinheiro dado sem esforço é necessário aos da pobreza extrema, aos que vivem abaixo da linha da miséria, nunca servir de estímulo aos que podem e devem trabalhar, serem úteis à sociedade, não seus parasitas. Esta é a política populista, a comprar votos nas eleições, é o desestímulo ao trabalho, criando o raciocínio lógico de que não precisa trabalhar – o “bolsa família” proverá. A ajuda temporária, ao necessitado, deveria ser impeditiva de exercer o voto nas eleições, ou, se receber doação do estado para viver, não poderia exercer o direito de votar.
Em recente estudo coordenado pela Ação Educativa e Consultoria de Conhecimento Social, realizada pela Fundação Itaú, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco, Unesco e Unicef, divulgado pelo INAF, em pesquisa nacional, os novos números apareceram: quase 10% dos brasileiros são totalmente analfabetos, outros 28% são analfabetos funcionais. No Brasil quem consegue desenhar o nome é considerado alfabetizado. Uma multidão de mais de oitenta milhões de cidadãos invisíveis, deserdados das oportunidades e de futuro.
Oitenta milhões, a população do Brasil em 1970. “Oitenta milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção…” Analfabetos funcionais, são, em linguagem rasa, cidadãos que conseguem ler palavras isoladas, frases curtas ou apenas identificam números familiares, como contatos telefônicos, endereços ou preços. O inacreditável é que existam analfabetos funcionais com curso superior.
O que precisamos prestar atenção é que a falta de alfabetização, ensino, conhecimento é a maior causa da desigualdade social, o fator que realça a diferença na hora da busca do emprego, das oportunidades na vida e da sobrevivência. Uma criança na escola não aprende somente a ler, ela também aprende a lavar as mãos, escovar os dentes, a ter hábitos higiênicos e sociais e os levará para casa estendendo estes conhecimentos aos pais, irmãos, família. Países do mundo, como a Coreia do Sul, China, Emirados Árabes e outros, fizeram suas mudanças de paradigma através da educação, com investimentos reais, bem direcionados, fiscalizados, através do ensino primário e depois a outros níveis. Nada adianta investir na geração acima de 15 anos, estes já passados do tempo para mudanças, com vícios e vidas influenciados pelas gerações anteriores, do nada fazer nem sonhar. A educação não pode ser usada como moeda política, como no Brasil, onde a manutenção da pobreza é a melhor e mais eficiente forma de reter o poder. Getúlio Vargas, o velho caudilho ditador, inventou de ser o pai dos pobres, fez escola, nos deixou como herança uma imensa dívida social, nos fazendo uma nação refém da pobreza e sem esperanças para nossos filhos e netos.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



