Faltando nove meses para as eleições, se a Comissão de Ética Pública do Governo Federal é um órgão sério tem que ficar de olhos fixos no uso de jatinhos da FAB pelos figurões da República. Estima-se que mais de 20 ministros deixarão seus cargos nos próximos meses, para concorrer a vagas nos governos estaduais, Câmara dos Deputados, Senado e Assembleias Legislativas. Muitos “compromissos oficiais” podem não passar de artimanha para sair de Brasília e cabalar votos junto a eleitores regionais, em reuniões com claros objetivos políticos. A preocupação é válida, sobretudo depois que durante uma reunião ministerial, em dezembro passado, Lula pediu aos seus auxiliares que disputarão as eleições que “ganhem o cargo que vão concorrer”.
Péssimos exemplos de desvios no passado não faltam. Eunício Oliveira, por exemplo, já usou jatinho da Força Aérea para participar de uma pelada em Limoeiro do Norte, quando candidato à reeleição ao Senado. À época, claro, alegou que a viagem ao Ceará era um “compromisso oficial”.



